Mortes em protestos no Irã alcançam 5.000, revela agência oficial

Repressão a atos já ultrapassa 20 dias; líder supremo defende ação rigorosa das forças de segurança. Confira no Poder360.

18/01/2026 19:40

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Os atos de apoio ao governo se dão enquanto várias cidades irani...

Repressão aos Protestos no Irã Resulta em Milhares de Mortes

Mais de 5.000 pessoas perderam a vida devido à repressão aos protestos no Irã, conforme informações da agência Reuters. As manifestações, que ocorrem há mais de 20 dias, exigem o fim do regime dos aiatolás, que está no poder desde 1979.

Embora o governo iraniano ainda não tenha confirmado oficialmente o número de mortos, a Reuters obteve a informação de um membro do governo. Organizações de direitos humanos, como a HRANA (Human Rights Activist News Agency), relatam números divergentes, com 3.308 mortes confirmadas e 4.382 casos em investigação. Além disso, ao menos 24.000 pessoas foram detidas.

Estimativas de Mortes e Reação do Governo

A ONG IHR (Iran Human Rights), com sede na Noruega, estima que 3.428 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança. O canal Iran International, baseado no exterior, sugere que o total de mortes pode chegar a 12.000, com base em informações de fontes governamentais e de segurança.

De acordo com a Reuters, cerca de 500 das vítimas eram membros das forças de segurança. O governo iraniano alega que tanto civis quanto agentes morreram em confrontos provocados pelos manifestantes, e responsabiliza os Estados Unidos e Israel pelo apoio aos protestos.

Motivações dos Protestos e Resposta do Líder Supremo

Os protestos começaram em resposta à crise econômica e ao aumento do custo de vida, mas rapidamente se transformaram em críticas diretas ao regime. Relatos indicam que a repressão tem sido brutal, com uso de armas de fogo por policiais e militares.

No último sábado, o líder supremo Ali Khamenei condenou os protestos e afirmou que as autoridades devem “quebrar as costas dos insurgentes”. Ele também responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes durante a repressão, alegando que os protestos são parte de uma “conspiração americana” para desestabilizar o Irã.

Restrição de Acesso à Internet e Dificuldades de Comunicação

Desde 8 de janeiro, o governo iraniano impôs restrições ao acesso à internet. A ONG Netblocks relatou uma leve recuperação na conectividade, que ainda está em apenas 2% dos níveis normais. Essa situação dificulta a verificação independente dos dados sobre mortos e detidos, com iranianos no exterior recebendo informações fragmentadas de familiares.

O procurador de Teerã, Ali Salehi, declarou que a resposta do governo aos protestos foi “firme, dissuasiva e rápida”.

Contexto dos Protestos e Reações do Governo

Os protestos no Irã começaram em 28 de dezembro de 2025, motivados pela grave situação econômica, incluindo a desvalorização da moeda e uma inflação de 42,2%. Comerciantes e trabalhadores saíram às ruas em busca de alívio econômico, e as manifestações rapidamente se ampliaram para exigir reformas políticas e maior liberdade.

O governo, sob a liderança de Ali Khamenei, respondeu com repressão violenta, utilizando armas de fogo e gás lacrimogêneo. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro, e Khamenei chamou os manifestantes de “sabotadores”.

  • Ali Khamenei – O aiatolá de 86 anos está no poder desde 1989 e lidera uma teocracia islâmica que concentra poder absoluto no líder supremo. O regime impõe restrições severas, incluindo a obrigatoriedade do uso de hijab e a necessidade de autorização para viagens internacionais.

Fonte por: Poder 360

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