Mulheres dedicam 10 horas a mais em trabalho de cuidado do que homens

Estudo revela que carga de cuidados afeta mais negras e mães de crianças pequenas, impactando o emprego a longo prazo.

23/11/2025 06:50

2 min

Mulheres dedicam 10 horas a mais em trabalho de cuidado do que homens
(Imagem de reprodução da internet).

Estudo da OIT Revela Desigualdade no Cuidado Não Remunerado

Um estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) na terça-feira, 18 de novembro de 2025, revela que as mulheres brasileiras dedicam, em média, 9,8 horas a mais por semana do que os homens a atividades de cuidado não remuneradas. Essas atividades incluem o acompanhamento de crianças, idosos e pessoas com deficiência, além de tarefas domésticas.

A pesquisa, realizada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, foi apresentada durante a Academia de Cuidados, um evento internacional promovido por diversas instituições.

Impacto da Sobrecarga de Cuidado

Os dados do estudo indicam que a sobrecarga de trabalho de cuidado é mais acentuada entre mulheres negras, que dedicam até 22,4 horas semanais a essas atividades, e entre aquelas que vivem em áreas rurais, que realizam mais do que o dobro de horas em comparação aos homens, com uma diferença média de 12,4 horas por semana. Além disso, 50% das mulheres tendem a deixar o mercado de trabalho até dois anos após o nascimento do primeiro filho, enquanto os homens geralmente aumentam sua renda nesse período.

Essas estatísticas destacam a necessidade de abordar a desigualdade na divisão das responsabilidades de cuidado, que afeta principalmente as mulheres após a maternidade.

Maternidade e Retorno ao Mercado de Trabalho

O estudo aponta que, dez anos após o nascimento do primeiro filho, as mulheres têm 20% menos probabilidade de estar empregadas em comparação aos homens. Essa diferença aumenta para 24% entre famílias de baixa renda. Os efeitos da maternidade se estendem por um longo período, mesmo quando os filhos não requerem cuidados intensivos.

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Propostas de Políticas Públicas

Para mitigar a desigualdade na divisão do trabalho de cuidado, o estudo sugere várias medidas, incluindo:

  • Ampliação das licenças de maternidade, paternidade e parentais;
  • Promoção do uso igualitário dessas licenças entre homens e mulheres;
  • Ratificação da Convenção nº 156 da OIT, que protege trabalhadores com responsabilidades familiares, atualmente em tramitação no Congresso.

Além disso, recomenda-se a criação de serviços públicos de cuidado, incentivos fiscais para empresas que adotem licenças parentais prolongadas e o desenvolvimento de políticas integradas que reconheçam o cuidado como um direito social, em vez de um obstáculo à participação econômica.

Fonte por: Poder 360

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