Nova alta da taxa de juros ameaça investimentos americanos no Brasil, alerta especialista
Gabriel Leal de Barros argumenta que as sobretaxas podem “representar uma questão” para as contas externas do Brasil.

O chefe de economia da ARX Investimentos, Gabriel Leal de Barros, 39 anos, afirmou que a presença de empresas americanas no Brasil é significativa. Em sua análise, a tarifação pode gerar um “problema” para as contas externas do Brasil, como no balanço de pagamentos.
A principal preocupação reside nos investimentos externos, que são consideráveis. O Brasil recebe um fluxo bastante grande de investimento externo proveniente de empresas norte-americanas, afirmou Barros em entrevista ao Poder360.
Acompanhe a entrevista (30min30s):
O economista declarou que o efeito seria de “dezenas de bilhões de dólares”. Os dados do BC (Banco Central) indicam que o IDP (Investimento Direto no País) atingia US$ 1,3 trilhão no final de 2023 – um recorde. Verificou-se um crescimento de US$ 258,8 bilhões em relação a 2022.
Os números constam no mais recente Relatório de Investimento Direto do BC, publicado em dezembro de 2024. Segue a íntegra (PDF – 5 MB).
Apenas os EUA investiram US$ 280,4 bilhões com base no critério de investidor imediato em 2023.
O efeito sobre o Produto Interno Bruto.
A economia do Brasil sofreria impactos de 20 a 30 bilhões de dólares anualmente, mesmo após a exclusão de quase 700 produtos nacionais da alíquota adicional de 40%.
Terá um impacto limitado no PIB, afirmou Barros. Na quarta-feira (13.ago.2025), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a medida provisória, denominada Brasil Soberano pelo Planalto.
O texto, com força de lei, foi publicado na tarde de quarta-feira (13.ago). Em linhas gerais, traz a liberação de R$ 30 bilhões em crédito para exportadores brasileiros.
O pacote foi lançado sem que se conhecesse o nível de juros que seria cobrado sobre os exportadores brasileiros. O governo também deve deixar R$ 9,5 bilhões fora da meta fiscal a partir da MP.
Isto confirma o que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia indicado na terça-feira (12.ago), de que permaneceria dentro do resultado primário.
BRICS é uma aliança de cinco países: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
O economista considera que a defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma moeda alternativa ao dólar nas negociações do Brics teve um “peso relevante” na taxa superior dos produtos brasileiros. Segundo Barros, isso é almejado por países que enfrentaram sanções ou encontram-se em conflito.
Até então, o Brasil não estava nessa lista de países com sanções e com tarifas. É o caso da Rússia, da China, do Irã. Países que de fato enfrentam restrições e buscam outros caminhos para efetuar suas transações comerciais, fugindo do dólar. Mas o Brasil, apesar de não ter nenhuma guerra, não ter nenhum conflito geopolítico, entrou gratuitamente nesse conflito, declarou o especialista.
O economista declarou que Lula indicou, em reunião do Brics no Rio em agosto, que não abandonará a busca por realizar negócios em moedas diferentes do dólar.
O presidente compareceu ao evento dos BRICS, aparentemente buscando provocar uma reação do governo americano, em particular de Donald Trump, afirmou Barros.
Abaixo, outros trechos da entrevista:
Fonte por: Poder 360