O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a tratar nesta 3ª feira (12.ago.2025) sobre a necessidade de implementar uma política estratégica para desenvolver e exportar minerais críticos e terras-raras. Ele defendeu que o Brasil deve focar na agregação de valor à produção, em vez de apenas vendê-los como matérias-primas.
Haddad mencionou acordos realizados durante o mandato do ex-presidente Joe Biden (Partido Democrata) para parcerias na fabricação de baterias e transferência de tecnologia, afirmando que acordos análogos podem ser estabelecidos com a Europa, China e Estados Unidos.
É necessário identificar maneiras de aumentar o valor agregado desses minérios. Apenas exportar a matéria-prima mantém o país vinculado a um modelo de baixo valor agregado e empregos pouco qualificados, afirmou durante a sessão na comissão mista que analisa a MP 1.303 de 2025, proposta pelo governo como alternativa à elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Haddad reiterou que os minerais podem ser utilizados como elemento de negociação nas discussões sobre a taxação de 50% imposta pelo governo de Donald Trump (Partido Republicano) sobre produtos brasileiros.
Os Estados Unidos intensificaram a busca por minerais críticos, incluindo nióbio, lítio, cobalto, grafite, cobre, urânio e as chamadas terras raras, visando diminuir a dependência de importações da China e garantir autonomia em setores estratégicos, como tecnologia, energia limpa e defesa. Esses recursos são fundamentais na produção de semicondutores, veículos elétricos, turbinas eólicas, satélites e equipamentos militares.
Apesar de não serem geologicamente raros, os minerais de terras raras apresentam processos de extração e refino complexos e dispendiosos, com a China concentrando aproximadamente 85% da capacidade de processamento mundial. A diversificação de fornecedores se tornou uma das prioridades de Trump.
Em julho, ocorreu uma reunião entre o encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, e o presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), Raul Jungmann, que abordou o assunto.
O diplomata americano solicitou a reunião, que abordou a viabilidade de uma missão de empresas de mineração brasileiras nos Estados Unidos, com previsão de ocorrência em setembro ou outubro.
Jungmann ressaltou, contudo, que a negociação de acordos sobre o assunto compete exclusivamente ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vez que os minerais pertencem à União.
“É uma matéria exclusiva do governo”, declarou ao Poder360. O instituto representa empresas privadas de mineração e não possui competência para celebrar acordos internacionais.
O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), foi perguntado sobre a viabilidade de um acordo com os Estados Unidos em relação a minerais críticos. Declarou existir uma “pauta extensa que pode ser desenvolvida e avançada”.
Alckmin afirmou ter ouvido o setor na reunião com segmentos que exportam para os EUA. Disse que o setor mineral é um que nós recebemos. Além disso, outro setor que exporta para os Estados Unidos apenas 3%, mas importa em máquinas e equipamentos mais de 20%, o que demonstra novamente o grande superávit [dos EUA] na balança comercial brasileira.
O governo Lula demonstra maior cautela em relação à situação. Declarou que estabelecerá uma comissão “ultra especializada” para identificar os minerais críticos no solo e subsolo do país. Ele afirmou que o Brasil necessita de maior controle sobre 70% do território de reservas que ainda não foram adequadamente catalogadas.
“Se este mineral é crítico, eu o levarei para mim. Por que eu deixaria outro país explorá-lo?”, declarou durante a cerimônia de inauguração da termelétrica de gás natural UTE GNA 2, no Porto do Açú, em São João da Barra (RJ).
Fonte por: Poder 360