A Dualidade do Lobo Interior e a Governança de Trump
Uma antiga lenda indígena afirma que dentro de cada ser humano habitam dois lobos: um que se alimenta de empatia e prudência, representando o bem, e outro que se nutre de medo, ressentimento e raiva, simbolizando o mal. Essa metáfora parece refletir o estilo de governança de Donald Trump, que utiliza essa luta interna como um método de liderança.
O Combustível da Governança de Trump
Trump não é movido apenas pela ganância, mas também por um desejo de status, dominação e uma constante necessidade de conflito. Ele transforma adversários em inimigos, divergências em humilhações e a política em um campo de vingança. Esse comportamento se fortalece quando a população se envolve na arena emocional que ele cria.
Apesar de sua abordagem controversa, Trump mantém uma taxa de aprovação de 41%, conforme dados da Reuters/Ipsos. Sua base de apoio não se limita a radicais, mas inclui uma coalizão diversificada de republicanos, cidadãos do interior e empresários que se sentem marginalizados, o que lhe confere uma resiliência notável.
A Questão da Paz e da Economia
Surge a pergunta: Trump é um mal ou um bem para a humanidade? Ele afirma ter encerrado oito guerras em nove meses, embora essa alegação seja exagerada, pois as intervenções e acordos parciais não sustentam tal afirmação. Na esfera econômica, suas políticas elevaram custos, desorganizaram cadeias produtivas e aumentaram a volatilidade do mercado.
É importante não se iludir com discursos éticos ou promessas de melhorias, pois isso não mudará sua trajetória atual. Trump é considerado perigoso por normalizar a coerção e a imprevisibilidade, recuando quando necessário, mas sempre mantendo seus objetivos firmes.
Limitações e Vulnerabilidades de Trump
Atualmente, os dados não indicam um cenário que possa derrubar Trump. A inflação está abaixo de 3%, as taxas de juros de longo prazo giram em torno de 4,25% e a Bolsa de Valores se aproxima de recordes históricos. O que poderia ameaçar sua posição não é a agitação política, mas uma combinação de inflação alta, juros elevados e uma queda acentuada na Bolsa.
Em resumo, Trump se torna vulnerável quando a dor financeira se torna palpável. Enquanto isso, líderes como Mark Rutte, da Otan, tentam lidar com ele através do pragmatismo e da cooperação, enquanto Lula opta por um enfrentamento retórico e a defesa da soberania, sem ceder a chantagens.
Conclusão: A Necessidade de Esvaziar o Combustível de Trump
Desmantelar a influência de Trump não se resume a derrotá-lo, mas a esvaziá-lo de seu combustível: medo, raiva e espetáculo. No final, a “fera” perde sua força quando deixa de receber o que a alimenta.
Fonte por: Estadao
