Oportunidade de Trabalho na Academia
Eleitorado acadêmico exige critérios claros para escolha de candidatos; paciência, perseverança e humildade são essenciais.
A Luta pela Vaga na Academia Brasileira de Letras
O renomado Mestre Miguel Reale costumava recitar um poema em francês que retratava a intensa ambição dos candidatos por uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Embora não consiga encontrar o texto exato, sua essência é clara: quando somos quarenta, não há vagas e somos ignorados; mas se somos trinta e nove, a expectativa é de que todos se curvem diante de nós.
Em francês, a beleza da rima entre “nous” (nós) e “genoux” (joelhos) é inegável, mas em português essa harmonia se perde. Essa dinâmica de competição é uma realidade persistente na vida acadêmica, refletindo um fenômeno que continua a se manifestar ao longo do tempo.
A Movimentação dos Candidatos
Humberto de Campos, ao lamentar a morte de Oliveira Lima, observou a movimentação dos candidatos para ocupar sua vaga. Ele expressou seu desânimo ao notar que muitos dos nomes apresentados eram de jovens sem obras publicadas, que prometiam se dedicar ao trabalho acadêmico após serem eleitos.
Em épocas passadas, a renovação na Academia era marcada por um glamour distinto. Os candidatos costumavam visitar pessoalmente cada um dos trinta e nove eleitores e passavam por uma sabatina informal, buscando conquistar seus votos.
Entrevistas e Resistências
Para a vaga deixada por Oliveira Lima, Humberto de Campos iniciou uma série de entrevistas no edifício do “Petit Trianon”. Durante essas conversas, ele trocou ideias com confrades como Medeiros e Albuquerque e Augusto de Lima, que sugeriu nomes de destaque fora do âmbito literário, como o Ministro Edmundo Lins. No entanto, essa proposta encontrou resistência, pois muitos acadêmicos preferiam manter a tradição de eleger apenas poetas.
Temores sobre o Futuro da Academia
Humberto de Campos expressou sua preocupação com o possível declínio da Academia Brasileira de Letras. Ele alertou que, se não houvesse uma reação, a Academia poderia estar perdida para as próximas gerações. Ele criticou a falta de qualidade de alguns membros, mencionando casos de candidatos que não demonstravam competência literária.
Fora da Academia, Humberto encontrou Rocha Pombo, um historiador que se mostrava inseguro sobre sua candidatura. Apesar de sua modéstia, Humberto incentivou-o a se candidatar, destacando a importância de sua contribuição para a Academia.
Resultados das Eleições e Críticas
Em abril de 1928, a Academia elegeu Ramiz Galvão para a vaga de Carlos de Laet, com 21 votos em segundo escrutínio, superando Lindolfo Collor, que recebeu 14 votos. Humberto, que votou em Collor, justificou sua escolha não apenas pela amizade política, mas também pela desconfiança em relação ao mérito de Galvão, que não havia correspondido às expectativas literárias.
O eleitorado acadêmico é conhecido por sua exigência, e os critérios para a escolha dos candidatos nem sempre são claros. Aqueles que aspiram a uma vaga na Academia precisam demonstrar paciência, perseverança e humildade para conquistar a aprovação dos eleitores.
Fonte por: Estadao
Autor(a):
Redação
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