Otan Media Disputa entre EUA e Europa sobre Groenlândia
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, declarou que a organização está atuando de forma discreta para mediar a crescente tensão entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus aliados europeus, que divergem sobre os interesses americanos na Groenlândia. Durante um painel no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Rutte enfatizou que a diplomacia “nos bastidores” é essencial para evitar o colapso da aliança militar.
A declaração de Rutte surge em um contexto de aumento das tensões políticas. Recentemente, o Norad, comando militar dos EUA e Canadá, anunciou o envio de aviões de guerra para a Groenlândia, gerando preocupações sobre uma possível invasão. Trump, que também discursou em Davos, reafirmou a importância estratégica da região para os Estados Unidos.
Reação da União Europeia
A União Europeia manifestou que não aceitará pressões de Washington sem resposta. As ações incluem:
- Resposta econômica: O Parlamento Europeu ameaça bloquear um acordo comercial com os EUA firmado em 2025;
- Investimentos no Ártico: A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um pacote de apoio para fortalecer a infraestrutura da região;
- Aumento de gastos militares: Von der Leyen defendeu a necessidade de equipar tropas europeias para a Groenlândia;
- Defesa da soberania: António Costa, presidente do Conselho Europeu, reiterou apoio à Dinamarca e à soberania da Groenlândia, afirmando que a UE se defenderá de coerções.
Trump e sua Visão em Davos
Apesar das críticas de líderes como Emmanuel Macron, que acusou Trump de tentar enfraquecer a Europa, o presidente americano se mostrou otimista em entrevista ao NewsNation, acreditando que uma solução pode ser alcançada durante o fórum. Trump também associou sua política externa aos resultados econômicos, afirmando ter reduzido o déficit comercial em 62% e defendendo a implementação de tarifas que, segundo ele, não geraram inflação significativa.
Conselho de Paz e Conflito na Faixa de Gaza
Além da situação no Ártico, Trump anunciou a criação do “Conselho de Paz”, que terá a função de supervisionar a transição de poder na Faixa de Gaza, em meio ao conflito entre Palestina e Israel. Ele sugeriu que o Conselho poderia substituir a ONU na região e convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para participar da iniciativa. O governo brasileiro está avaliando a proposta com cautela, sem clareza sobre as intenções de Trump.
Interesse dos EUA na Groenlândia
O interesse de Donald Trump na Groenlândia não é recente. Ele já havia manifestado essa intenção em 2019 e novamente em dezembro de 2024, antes de assumir seu segundo mandato. Trump afirmou que, se não conseguir controlar a Groenlândia “do jeito fácil”, fará isso “do jeito difícil”. Ele considera a Groenlândia vital para a segurança nacional dos EUA, especialmente para mitigar a “ameaça russa”.
Além de considerar a possibilidade de controlar a região à força, Trump também está avaliando a compra da Groenlândia e a oferta de pagamentos diretos aos moradores da ilha. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou que o território prefere continuar vinculado à Dinamarca.
Conclusão
A situação na Groenlândia e as tensões entre os EUA e a Europa refletem um cenário geopolítico complexo, onde interesses estratégicos e econômicos estão em jogo. A resposta da União Europeia e as ações de Trump continuarão a moldar o futuro das relações transatlânticas e a estabilidade na região do Ártico.
Fonte por: Poder 360
