Perda de olfato pode indicar Alzheimer: descubra quando investigar

Mudanças no olfato podem indicar problemas além de resfriados. Descubra causas, sinais de alerta e a importância do diagnóstico precoce para preservar a memória…

23/01/2026 3:30

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avatar Demência de perda de memória e conceito de alzheimer

Alterações no Olfato e Sua Relação com Doenças Neurológicas

As mudanças na percepção olfativa são frequentemente consideradas temporárias e de pouca importância clínica, geralmente associadas a gripes, alergias ou, mais recentemente, à Covid-19. No entanto, pesquisas científicas indicam que alterações sutis no olfato podem ser um sinal precoce de doenças neurológicas, como o Alzheimer.

Identificar quando a perda do olfato é um sintoma benigno ou quando requer investigação médica é crucial para um diagnóstico precoce, acompanhamento adequado e manutenção da qualidade de vida.

Olfato como Indicador de Saúde Neurológica

O sistema olfatório se destaca entre os sentidos por suas conexões diretas com áreas do cérebro relacionadas à memória, emoções e comportamento, como o bulbo olfatório e o sistema límbico. Ao contrário da visão e audição, os estímulos olfativos não passam pelo tálamo, alcançando rapidamente regiões profundas do cérebro.

Essas áreas são as primeiras a apresentar alterações estruturais e funcionais durante o processo neurodegenerativo do Alzheimer. Estudos demonstram que dificuldades em identificar e reconhecer odores podem surgir anos antes dos sintomas cognitivos clássicos, servindo como um marcador funcional precoce.

Testes simples de identificação de odores, aliados a avaliações cognitivas, podem ajudar a identificar indivíduos com maior risco de declínio cognitivo, ampliando as possibilidades de triagem em ambientes clínicos e na atenção primária.

Causas Comuns da Perda de Olfato

Embora a Covid-19 tenha chamado atenção para as alterações olfativas, a maioria das causas é não neurológica. Entre as causas mais frequentes estão rinite alérgica, rinossinusite crônica, infecções virais, tabagismo, uso de certos medicamentos e exposição a substâncias irritantes.

Nesses casos, a perda do olfato geralmente é acompanhada de sintomas nasais ou respiratórios e tende a melhorar com tratamento adequado. Diferenciar corretamente as causas locais das neurológicas é essencial para evitar alarmismo e atrasos no diagnóstico.

Sinais de Alerta para Investigação Médica

Um sinal de alerta ocorre quando a alteração do olfato é progressiva, persistente e não pode ser explicada por doenças nasais evidentes. O risco aumenta em pessoas acima de 60 anos ou quando o sintoma está associado a queixas cognitivas sutis, como lapsos de memória ou dificuldades de concentração.

Nessas situações, a alteração olfativa deve ser considerada parte de um quadro clínico mais amplo, não um achado isolado.

Importância do Diagnóstico Precoce

A avaliação inicial geralmente inclui uma consulta otorrinolaringológica para excluir causas inflamatórias ou estruturais. Na ausência de explicações locais ou diante de sinais neurológicos, a investigação deve avançar para avaliações neurológicas e neuropsicológicas.

O diagnóstico do Alzheimer evoluiu para um modelo baseado em biomarcadores, reconhecendo que o processo patológico começa muito antes dos sintomas clínicos evidentes. Nesse contexto, o olfato pode servir como um sinal acessível, indicando a necessidade de acompanhamento mais próximo.

A identificação precoce permite um planejamento de cuidados mais eficaz, controle de fatores de risco modificáveis e orientação adequada para pacientes e familiares, preservando a autonomia e segurança.

Impacto da Perda do Olfato na Qualidade de Vida

A perda do olfato não afeta apenas o prazer alimentar e social, mas também a segurança no cotidiano, reduzindo a percepção de fumaça, vazamentos de gás e alimentos estragados. Em certos casos, pode ser um sinal silencioso de mudanças no cérebro.

Reconhecer esse sintoma com atenção e base científica contribui para uma abordagem mais preventiva e humanizada na medicina.

Fonte por: Jovem Pan

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