Prematuros aumentam peso ao dormir em rede, aponta estudo

Pesquisa no Ceará revela que uso terapêutico em UTI neonatal impulsiona crescimento e complementa cuidados tradicionais.

05/04/2026 12:40

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Mãe e bebê

Estudo da UFC Revela Benefícios do Uso de Redes para Bebês Prematuros

Uma pesquisa da Universidade Federal do Ceará (UFC) demonstrou que bebês prematuros que utilizam redes em unidades neonatais apresentaram um ganho médio de até 360 g em 15 dias. O estudo foi realizado na Santa Casa de Misericórdia de Sobral e envolveu 60 recém-nascidos divididos em quatro grupos, cada um submetido a diferentes intervenções.

Intervenções e Resultados do Estudo

Os grupos foram organizados da seguinte forma: um grupo permaneceu 2 horas diárias em posicionamento terapêutico em rede; outro recebeu sessões diárias de hidroterapia; um terceiro combinou o uso da rede com hidroterapia; e o quarto grupo, controle, recebeu apenas os cuidados habituais da unidade neonatal. Embora todos os bebês tenham apresentado ganho de peso, os resultados foram mais significativos entre aqueles que utilizaram a rede.

O grupo controle ganhou, em média, 305 g, enquanto os que participaram apenas da hidroterapia ganharam 346 g. Os bebês que dormiram em rede apresentaram um ganho médio de 360 g, e o maior aumento foi observado no grupo que combinou rede e hidroterapia, com um ganho médio de 616 g, o que é o dobro dos que não receberam intervenções.

Importância do Relaxamento para o Ganho de Peso

A pesquisa sugere que o relaxamento proporcionado pela rede é crucial para o ganho de peso dos prematuros. O pediatra Francisco Plácido Arcanjo, professor da UFC, explica que “prematuros precisam estar relaxados para conseguirem ganhar peso de forma significativa e se desenvolver”. O uso da rede, isoladamente ou em combinação com a hidroterapia, simula características do ambiente intrauterino que esses bebês perderam precocemente.

Condições Controladas e Segurança do Uso da Rede

Os grupos eram comparáveis em fatores como idade gestacional e peso ao nascer, o que indica que as diferenças observadas estão mais relacionadas às intervenções do que a características prévias dos recém-nascidos. O formato côncavo da rede e o uso de tecido de algodão ajudam a manter os bebês aquecidos e contidos, o que é essencial, já que prematuros têm um sistema de termorregulação imaturo.

O estudo também estabeleceu um período específico de descanso para os recém-nascidos, programando as 2 horas diárias de uso da rede entre as intervenções de rotina. Essa redução na manipulação favoreceu um sono mais profundo, associado à diminuição da dor e desconforto.

Uso Restrito e Considerações de Segurança

A utilização da rede deve ser restrita ao ambiente hospitalar, onde os bebês estão clinicamente estáveis e sob monitoramento rigoroso. O professor Arcanjo enfatiza que “não é possível recomendar a prática em casa”, devido ao maior risco de complicações clínicas em prematuros fora de um ambiente assistido.

Mesmo em hospitais, o monitoramento constante é necessário para garantir a segurança dos recém-nascidos. A movimentação dentro da rede deve ser observada para evitar riscos de posicionamento inadequado ou dificuldades respiratórias.

No Brasil, entre 10% e 12% dos nascimentos ocorrem antes da 37ª semana de gestação, resultando em cerca de 300 a 340 mil prematuros anualmente. Estratégias que promovam a estabilidade clínica e o crescimento desses bebês são, portanto, prioritárias.

O grupo de pesquisa da UFC planeja novos estudos para avaliar períodos mais longos de uso da rede e seus efeitos sobre dor, estresse e desenvolvimento, com o objetivo de potencialmente incorporar essa estratégia de baixo custo nas rotinas de UTIs neonatais, especialmente em regiões onde a prematuridade é um desafio de saúde pública.

Fonte por: Poder 360

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