Relatório revela que ataques cibernéticos são estratégicos na guerra no Oriente Médio
Monitoramento da Apura Cyber Intelligence registra 149 ataques de negação de serviço por grupos pró-Irã nos primeiros dias de guerra.
Ataques Cibernéticos na Guerra entre EUA, Israel e Irã
Os ataques cibernéticos se tornaram uma parte integral da dinâmica da guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã, frequentemente ocorrendo antes das ofensivas militares. Essa análise é parte de um relatório da Apura Cyber Intelligence, uma empresa brasileira que monitora os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
O estudo revela que o ambiente digital se transformou em um dos principais campos de batalha, com campanhas de hacktivismo, espionagem digital, desinformação e tentativas de censura ocorrendo simultaneamente às operações militares.
Intensificação dos Ataques Cibernéticos
Após as primeiras ofensivas contra o Irã, grupos hackers alinhados ao país intensificaram os ataques a sistemas digitais relacionados a alvos israelenses e norte-americanos. Nos primeiros cinco dias de conflito, foram registradas 149 reivindicações de ataques DDoS (negação de serviço) por grupos pró-Irã, afetando 110 organizações em 16 países. Esses ataques foram realizados por pelo menos 12 grupos hackers, alguns dos quais contaram com apoio de coletivos internacionais, incluindo membros associados à Rússia.
Além disso, o relatório destaca que a ofensiva digital não é exclusiva de grupos independentes, mas também envolve operações governamentais que visam apoiar ações militares, incluindo reconhecimento de alvos e tentativas de desestabilização de sistemas de defesa.
Técnicas de Ataque Utilizadas
Os ataques DDoS visam tornar sistemas, sites ou servidores indisponíveis para usuários legítimos, sobrecarregando-os com tráfego falso. Segundo a Apura, as principais técnicas utilizadas incluem:
- Invasões com alteração de páginas na internet, conhecidas como defacement, que visam alterar o conteúdo de uma página web para ganhar visibilidade;
- Ações de ransomware, que bloqueiam o acesso a computadores e dados, exigindo um resgate para a liberação.
Riscos e Implicações para a Região
Os ataques têm se concentrado em setores estratégicos, como infraestrutura crítica, telecomunicações, sistema financeiro e defesa. O especialista em cibersegurança da Apura, Anchises Moraes, alerta que o risco digital em cenários de conflito se torna politicamente motivado e altamente imprevisível, especialmente entre países com histórico em operações cibernéticas sofisticadas.
Além disso, o levantamento indica que ataques cibernéticos foram utilizados para mapear alvos militares e políticos no Irã, utilizando dados obtidos por meio de invasões em celulares e câmeras de monitoramento urbano. Apesar de não terem sido identificados ataques direcionados ao Brasil ou a outros países da América Latina, a Apura alerta para o risco indireto na região, especialmente em setores como energia, telecomunicações e saúde.
Fonte por: CNN Brasil
Autor(a):
Redação
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