Revolução nos soros para tratamento de picadas de cobras

Avanços na Produção de Soro Antiofídico
Até 1890, ser picado por uma cobra venenosa era considerado fatal. Foi nesse ano que o imunologista francês Albert Calmette desenvolveu o primeiro soro antiofídico, utilizando veneno de uma Naja para imunizar um cavalo. Após a extração e purificação do sangue do animal, o soro resultante passou a ser utilizado para tratar pessoas mordidas, bloqueando os efeitos do veneno.
No Brasil, Vital Brasil começou a produzir soro antiofídico em 1899, e atualmente o Instituto Butantã continua a utilizar essa tecnologia para a produção de soros. Essa inovação tem sido crucial para salvar vidas em casos de picadas de cobra.
Desafios na Disponibilidade do Soro
Na África, ocorrem cerca de 300.000 mordidas de cobra anualmente, resultando em 7.000 mortes e 10.000 amputações, principalmente devido à falta de soro disponível. No Brasil, são registradas 30.000 mordidas por ano, mas apenas 150 mortes, com a principal dificuldade sendo a disponibilidade do soro, que deve ser aplicado rapidamente após a mordida.
Além disso, o soro tem uma validade curta, de 36 meses quando armazenado na geladeira, o que exige reposição constante dos estoques, muitos dos quais nunca são utilizados. Cada tipo de cobra requer um soro específico, complicando ainda mais o tratamento.
Desenvolvimento de um Novo Antiveneno
Cientistas estão trabalhando em um novo soro que poderia tratar diferentes tipos de mordidas de cobra. Eles selecionaram 18 espécies de cobras que causam acidentes na África Subsaariana e injetaram seus venenos em alpacas e lhamas. A partir disso, isolaram linhagens de células que produzem mais de 3.000 anticorpos.
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Após caracterizar os anticorpos, os pesquisadores conseguiram desenvolver uma mistura que neutraliza o veneno de 17 das 18 cobras estudadas. Essa abordagem permite que os anticorpos sejam estocados por longos períodos, facilitando a produção em larga escala.
Perspectivas Futuras e Desafios Éticos
Embora a pesquisa tenha avançado, o novo antiveneno ainda não é a solução definitiva, pois não abrange todas as cobras. O objetivo é criar uma combinação eficaz para cada continente, considerando as diferenças entre as espécies. No entanto, a viabilidade comercial desse antiveneno é questionável, já que as picadas de cobra ocorrem principalmente em populações carentes.
Infelizmente, a falta de investimento e interesse por parte das empresas pode significar que essa importante descoberta permaneça sem aplicação prática. A esperança é que, no futuro, essa inovação possa ser utilizada para salvar vidas, mas atualmente, o método de Calmette ainda é o mais utilizado.
Fonte por: Estadao
Autor(a):
Redação
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