O setor de robôs humanoides poderá atingir 100 bilhões de yuans (US$ 14 bilhões) na próxima década, competindo em tamanho com o mercado global de braços robóticos industriais, afirmou um executivo relevante do setor.
Wang He, fundador da Beijing Galbot Co. Ltd., projeta que as tecnologias e aplicações que definem a indústria emergente de robôs humanoides, em conjunto com executivos da Nvidia Corp. e da fabricante chinesa de robótica Unitree Technology Co. Ltd., moldarão o futuro da área.
Wang afirma que, se uma empresa líder vende atualmente 1.000 robôs humanoides, essa quantidade pode aumentar para 10.000 em três anos e atingir 100 mil nos três anos seguintes. Com cada unidade custando algumas centenas de milhares de yuans, a produção total poderia chegar a quase 100 bilhões de yuans.
O setor é considerado a “evolução final” da robótica – máquinas aptas para operar em ambientes projetados para humanos. “Pode se tornar um mercado maior do que todos os robôs industriais atuais em até 10 anos. E, em 20 anos, pode atingir um mercado trilionário, maior do que o de carros ou de telefones celulares”, afirmou Wang.
Os robôs humanoides serão a primeira aplicação nas fábricas no manuseio de materiais, declarou ele. Os modelos da Galbot já igualam a capacidade de trabalho por hora de um humano nessa função, e dezenas devem ser implantados nas fábricas até o final do ano. A paletização (empilhamento de cargas em paletes) será o próximo passo, permitindo a execução de tarefas completas.
A seleção de itens ainda é um desafio devido à velocidade restrita dos modelos atuais. “Ainda estamos na fase de desenvolvimento tecnológico”, afirmou Wang.
Wang Xingxing, fundador da Unitree, defendeu que o robô humanoide é estruturalmente mais simples do que modelos com esteiras ou outros formatos, sendo adequado para robôs profissionais. A Unitree, que iniciou a produção de robôs quadrúpedes em 2016, ingressou no setor humanoide em agosto de 2023 com seu 1º modelo.
À medida que a IA (Inteligência Artificial) evolui, “qualquer pessoa poderá construir um robô humanoide tão facilmente quanto montar um computador”, declarou Wang Xingxing. A tecnologia atual de robôs de uso geral tem apenas de 2 a 3 anos de desenvolvimento, e será necessário mais tempo para amadurecer, embora ele preveja que remessas e equipes dobrem anualmente no curto prazo. Já os robôs para uso doméstico enfrentam obstáculos éticos e de segurança mais elevados.
O painel também abordou os obstáculos técnicos. Wang Xingxing destacou a falta de inteligência nos grandes modelos aplicados a robôs e a ausência de uma arquitetura de modelo unificada. Ele afirmou que a Unitree tentou treinar braços robóticos com vídeos produzidos por modelos de criação de vídeo, porém foi restrita pelo poder computacional. Segundo Wang Xingxing, o Genie 3 do Google, lançado em 6 de agosto, pode auxiliar.
Já Wang He argumentou que a arquitetura VLA é suficiente, sendo a falta de dados o principal desafio. Em contraposição a textos, conjuntos de dados de imagens e ações são restritos, tornando dados sintéticos e simulações cruciais. A Galbot utiliza a plataforma de simulação da Nvidia para treinamento.
Rev Lebaredian, vice-presidente da Nvidia, concordou que a disponibilidade de dados é uma grande limitação. A estratégia da Nvidia é automatizar a criação de dados sintéticos. “Se tivermos uma fábrica de criação de dados sintéticos para direção autônoma, podemos conectá-la diretamente ao treinamento, reduzir a intervenção humana e tornar os ‘cérebros’ dos robôs mais inteligentes”, afirmou.
Lebaredian acrescentou que a China se encontra em uma posição favorável em relação à robótica e à inteligência artificial física, devido ao seu grande número de pesquisadores em IA, à sua força na fabricação de eletrônicos e à sua vasta base industrial para implementação e testes em larga escala.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 13 de agosto de 2025. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 por acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
Fonte por: Poder 360
