Ministro Rui Costa se Pronuncia sobre CPI do Banco Master
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, declarou nesta segunda-feira (2) que o governo não deve se manifestar sobre a possibilidade de criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) ou uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar o Banco Master. A declaração surge após o retorno das atividades legislativas, onde parlamentares articulam a instalação de uma comissão para apurar suspeitas de fraudes na venda do banco.
Articulações no Legislativo
Os parlamentares estão considerando tanto a criação de uma CPI no Senado quanto de uma CPMI, que incluiria deputados e senadores. Embora já tenham reunido o número mínimo de assinaturas necessárias, a proposta ainda precisa da aprovação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Rui Costa enfatizou que, assim como não cabe aos deputados ou senadores orientar a atuação da Polícia Federal, o Executivo também não deve opinar sobre decisões do Legislativo. Ele afirmou que “cabe ao Parlamento escolher os meios e a forma, dentro do regimento da casa”.
Encontro entre Lula e Daniel Vorcaro
O ministro também comentou sobre o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que ocorreu em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto. A reunião, que não estava na agenda oficial, foi organizada pelo ex-ministro da Economia, Guido Mantega, a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Rui Costa destacou que encontros entre o presidente e líderes do setor financeiro são comuns, afirmando que um presidente que governa de forma democrática deve ouvir representantes de diferentes segmentos.
Desdobramentos da CPI do Banco Master
Atualmente, há pelo menos um pedido de CPI no Senado e uma proposta de CPMI mista para investigar o caso do Banco Master, com assinaturas suficientes. Na Câmara, cerca de 15 requerimentos aguardam análise. No Senado, Alcolumbre indicou que não dará seguimento à leitura do pedido em plenário, enquanto na Câmara, Motta argumenta que o regimento impede novas CPIs no momento.
Nos bastidores, líderes expressam preocupação com o potencial desgaste político que novas revelações sobre o caso podem causar. Com a cúpula bloqueando a apuração, a investigação deve avançar por outros meios. A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado planeja ouvir personagens centrais do caso e requisitar documentos de órgãos como o Banco Central e o TCU (Tribunal de Contas da União).
Inclusão do Caso Master em Outras Investigações
Outra frente de investigação é a CPI do Crime Organizado, onde o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), propõe incluir o Banco Master no escopo da comissão, citando indícios de relações indevidas de Vorcaro com agentes públicos. Além disso, a CPMI do INSS convocou Vorcaro para depor, e sua defesa está avaliando se ele comparecerá ou buscará um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal.
O caso também chegou ao STF, onde o ministro Dias Toffoli, sob pressão, considerou enviar parte da investigação para a primeira instância e retirou o sigilo de alguns depoimentos. O Palácio do Planalto observa a situação com preocupação, temendo que a crise possa afetar o governo e o projeto político de reeleição de Lula.
A crise se intensifica com as crescentes suspeitas de que Vorcaro mantém uma extensa rede de relações institucionais em diversas esferas de poder.
Fonte por: CNN Brasil
