SAF: Clubes divididos entre a entrega total e a resistência à mudança

Chapecoense, Fortaleza e Avaí implementam novo modelo de gestão esportiva

05/02/2026 14:30

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SAF 100% do clube: uma possibilidade real

É possível que um clube seja dono de sua própria Sociedade Anônima do Futebol (SAF) sem a necessidade de vender participação a investidores externos. Essa prática já está sendo adotada por clubes como Chapecoense, Fortaleza e Avaí.

Ao se tornar acionista único, o clube mantém total controle sobre as decisões esportivas e administrativas, aproveitando os benefícios da Lei da SAF, sem abrir mão do seu futebol.

Como funciona a SAF controlada pelo clube

Para implementar esse modelo, o clube deve convocar uma assembleia de sócios, respeitando o quórum exigido pela legislação e pelo estatuto do clube, seguindo o rito da Lei 14.193/2021. Não é necessário um investidor externo para a constituição da SAF, permitindo que o clube seja o único sócio da nova entidade.

Entretanto, é fundamental que haja uma governança séria. O sucesso ou fracasso do modelo depende de dois pilares principais: um Conselho Fiscal independente e a cobrança constante da torcida e dos sócios para evitar que a SAF se torne uma “caixa-preta”.

Mecanismos de fiscalização da Lei da SAF

A Lei da SAF introduziu mecanismos de fiscalização mais rigorosos em comparação ao modelo tradicional de associação civil. Entre eles, destacam-se:

  • Conselho de administração;
  • Conselho fiscal sem vínculos com a diretoria executiva;
  • Auditorias externas obrigatórias;
  • Prestações de contas trimestrais;
  • Fiscalização pela CBF, Judiciário e Ministério Público.

Essas medidas visam melhorar a governança, embora o risco de má gestão ainda dependa das pessoas que estão à frente do clube.

Rejeição ao modelo SAF entre torcedores

Os principais argumentos contra a adoção do modelo incluem o medo de perda de identidade do clube, resistência política interna e exemplos de SAFs que falharam, gerando desconfiança.

Reflexões sobre o futuro da SAF

É importante notar que a rejeição ao modelo SAF não é unânime e pode mudar com o tempo. Clubes que hoje afirmam que “nunca” adotarão a SAF podem reconsiderar essa posição se enfrentarem dificuldades financeiras nos próximos anos.

Atualmente, o modelo associativo ainda é visto como a zona de conforto para muitos clubes tradicionais, especialmente aqueles que estão conquistando títulos e mantendo suas finanças em dia.

No entanto, a SAF não deve ser vista como uma solução mágica ou vilã. Trata-se de uma ferramenta jurídica e financeira, cujo sucesso depende de sua utilização, da liderança e do envolvimento dos sócios e torcedores na fiscalização.

Fonte por: Jovem Pan

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