Santander afirma que data center é a nova fronteira do mercado de capitais

Setor projeta R$ 2 trilhões em investimentos futuros

01/01/2026 1:20

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(Imagem de reprodução da internet).

Setor de Data Centers no Brasil Busca Novas Formas de Financiamento

O setor de data centers no Brasil está se preparando para um ciclo de crescimento que exigirá novas estratégias de financiamento. Para isso, será necessário recorrer ao mercado de capitais, utilizando debêntures incentivadas, securitização de recebíveis e a criação de fundos imobiliários. As primeiras iniciativas desse tipo devem surgir entre 2026 e 2027, conforme afirma Marcelo Kuhnlenz Sahatdjian, Líder de Infraestrutura Digital e Social do Santander.

Necessidade de Investimentos e Alternativas de Financiamento

Atualmente, a construção de data centers no Brasil tem sido sustentada por investimentos privados e financiamentos de bancos comerciais. No entanto, a crescente demanda por investimentos exige a busca por alternativas de financiamento. Sahatdjian destaca que o investimento no setor está represado e que é fundamental explorar todas as opções disponíveis.

As debêntures incentivadas, que oferecem isenção fiscal para projetos de infraestrutura, são uma das alternativas em consideração. O executivo do Santander expressa a expectativa de que, em 2026, o setor consiga acessar o mercado de capitais para data centers, um objetivo que a instituição financeira tem como prioridade. Atualmente, os investidores ainda estão mais focados em setores como energia e infraestrutura tradicional, mas há um potencial significativo a ser explorado.

Modelo de Negócio e Oportunidades para Fundos de Investimento

O investimento inicial em um data center é elevado, com retornos que ocorrem a longo prazo. Esses empreendimentos são projetados para atender empresas de tecnologia, que firmam contratos de locação de 10 a 20 anos para utilizar o espaço com seus servidores. Em alguns casos, os contratos são estabelecidos em dólar, especialmente quando envolvem grandes empresas de tecnologia.

Esse modelo de negócio pode ser utilizado para a formação de fundos de investimento imobiliário (FIIs), que financiam a compra ou construção de data centers em troca de recebíveis futuros. Sahatdjian menciona que já existem conversas com gestores de FIIs interessados nesse segmento, embora ainda esteja em fase inicial.

Tendências e Projeções para o Futuro

O executivo acredita que é possível obter financiamentos para data centers de forma relativamente rápida, desde que a estrutura financeira do projeto seja atrativa para ambos os lados. Ele observa uma tendência de migração para estruturas segregadas, organizadas em Sociedades de Propósito Específico (SPEs), um modelo que proporciona maior clareza de risco e permite o financiamento independente de cada projeto.

As projeções para os próximos anos indicam uma expansão significativa na capacidade instalada de data centers no Brasil. Com a implementação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), que aguarda regulamentação, estima-se que R$ 2 trilhões em investimentos possam ser direcionados ao setor, aumentando quase quatro vezes a capacidade de processamento de dados no país.

Fonte por: Estadao

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