STF finaliza Caso Evandro e declara inocência de quatro condenados
Decisão de Gilmar Mendes encerra recursos do MP após revelações de tortura em declarações de réus. Confira no Poder360.
STF Encerramento do Caso Evandro Caetano
Na terça-feira, 31 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pelo trânsito em julgado do processo relacionado ao assassinato de Evandro Ramos Caetano, que foi morto aos 6 anos em 1992, em Guaratuba, Paraná. Essa decisão encerra o caso e mantém a inocência de quatro pessoas que haviam sido condenadas, impossibilitando novos recursos.
Reviravolta no Processo Judicial
O caso ganhou novos contornos após a divulgação de áudios pelo podcast Projeto Humanos, do jornalista Ivan Mizanzuk, que indicavam que os réus foram submetidos a tortura para confessar o crime. Com base nessas gravações, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) anulou as condenações de Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares, Beatriz Abagge e Vicente de Paula Ferreira, que faleceu em 2011 enquanto cumpria pena.
Recursos e Decisões Judiciais
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) recorreu da anulação das condenações, mas a absolvição foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso chegou ao STF, onde o ministro Gilmar Mendes rejeitou um novo recurso, argumentando que a condenação se baseava em confissões obtidas de forma ilícita, sem provas adicionais que corroborassem a autoria do crime. Mendes também afirmou que os inocentados têm direito a indenização pelo Estado, e o MP-PR informou que não irá recorrer da decisão.
Defesa dos Inocentados
A defesa dos inocentados declarou que o trânsito em julgado reafirma as alegações feitas ao longo de 30 anos sobre tortura e ocultação de provas, servindo como um alerta sobre os abusos do Estado na persecução penal.
Contexto do Caso Evandro
Evandro desapareceu em 6 de abril de 1992, e seu corpo foi encontrado dias depois em um matagal, apresentando sinais de violência extrema. O verdadeiro autor do crime nunca foi identificado.
Na época, sete pessoas foram acusadas. As investigações sugeriram que Beatriz Abagge e sua mãe, Celina, que eram filha e esposa do então prefeito da cidade, teriam encomendado a morte do menino em um ritual. Conhecidas como as “bruxas de Guaratuba”, elas passaram mais de cinco anos presas.
O processo passou por cinco julgamentos distintos. Um deles, realizado em 1998, durou 34 dias, tornando-se o mais longo da história do Judiciário brasileiro. Em um novo júri em 2011, Beatriz foi condenada a 21 anos de prisão, enquanto o suposto crime de Celina prescreveu devido à sua idade. As penas de Osvaldo e Davi já foram cumpridas e extintas, e outros dois acusados, Francisco Sérgio Cristofolini e Airton Bardelli, foram absolvidos em 2005.
Fonte por: Poder 360
Autor(a):
Redação
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