STF impõe 14 anos de prisão a empresário por doação de R$ 500 nos atos de 8 de Janeiro
Moraes ressalta em voto que repasse financeiro custeou ônibus dos invasores, com apoio da Primeira Turma da Corte.
Condenação de Empresários por Financiamento de Atos Antidemocráticos
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o empresário Alcides Hahn a 14 anos de prisão por realizar uma transferência via Pix de R$ 500 para financiar a viagem de manifestantes a Brasília, durante os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A decisão, unânime da Primeira Turma da Corte, determina que a pena seja cumprida em regime fechado.
Além de Hahn, outros dois réus, Rene Afonso Mahnke e Vilamir Valmor Romanoski, também foram condenados às mesmas penas por seu envolvimento no financiamento dos ataques. O julgamento foi oficializado em 2 de março e seguiu integralmente o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes.
No relatório, Moraes rejeitou os argumentos de defesa, afirmando que os réus agiram de forma consciente e voluntária, assumindo o papel de “financiadores e instigadores” dos atos golpistas. Ele destacou que os réus se associaram a outras pessoas, algumas armadas, para praticar atos que ameaçavam a integridade do sistema eleitoral.
Investigações e Provas Apresentadas
A investigação da Polícia Federal revelou que o dinheiro dos empresários foi utilizado para fretar um ônibus que partiu de Blumenau (SC) em 5 de janeiro de 2023, transportando 41 passageiros até a capital federal. Entre os viajantes, estavam pessoas que participaram da invasão e depredação do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto.
Defesas dos Réus
Os advogados dos três empresários negaram qualquer intenção de golpe ou destruição do patrimônio público. A defesa de Alcides Hahn argumentou que a acusação se baseava apenas na transferência de R$ 500, sem provas de que ele soubesse do uso ilegal do dinheiro.
Rene Afonso Mahnke teve sua defesa sustentada com o argumento de que ele apenas transferiu R$ 1.000 para a empresa de transporte, sem ter viajado a Brasília ou participado dos atos. Já a defesa de Vilamir Valmor Romanoski alegou que ele pretendia apenas participar de uma manifestação pacífica e questionou a competência do STF para julgar o caso.
Penas e Multas Impostas
A pena de 14 anos imposta pelo STF é dividida em 12 anos e 6 meses de reclusão para os crimes mais graves, além de 1 ano e 6 meses de detenção. Os réus foram condenados por cinco crimes simultâneos, incluindo abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
- Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado;
- Deterioração de patrimônio tombado;
- Associação criminosa armada.
Além da prisão, o STF determinou uma multa de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, a ser paga de forma solidária entre os condenados, com o valor destinado a um fundo de reparação pública.
Fonte por: Jovem Pan
Autor(a):
Redação
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