Eleição Geral na Tailândia: Disputa Tripartite e Instabilidade Política
As urnas foram abertas na Tailândia neste domingo, dando início a uma eleição geral caracterizada por uma disputa entre três principais correntes: conservadora, progressista e populista. A expectativa é de que nenhum partido consiga garantir uma maioria clara, o que pode prolongar a instabilidade política no país.
O primeiro-ministro Anutin Charnvirakul preparou o cenário para as eleições antecipadas em dezembro, em meio a um acirrado conflito fronteiriço com o Camboja. Analistas acreditam que essa manobra foi uma estratégia do líder conservador para capitalizar o crescente sentimento nacionalista.
Na ocasião, Anutin estava no poder há menos de 100 dias, após a destituição do primeiro-ministro Paetongtarn Shinawatra, do partido populista Pheu Thai, em decorrência da crise com o Camboja.
Desempenho dos Partidos e Expectativas
O Pheu Thai, que conta com o apoio do bilionário ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, apresenta uma queda nas intenções de voto, mas ainda não está fora da disputa, conforme indicam as pesquisas. Por outro lado, o Partido Popular progressista, que defende mudanças estruturais e reformas para a economia tailandesa, tem liderado as pesquisas durante a campanha.
Thitinan Pongsudhirak, cientista político da Universidade Chulalongkorn, expressou preocupação com a possibilidade de a Tailândia continuar presa à instabilidade política e à estagnação econômica. O Partido Popular, embora enfrente a concorrência do governista Bhumjaithai e do Pheu Thai, pode não ter apoio suficiente para conquistar a maioria parlamentar, o que aumenta o risco de um cenário semelhante ao de seu antecessor.
O Move Forward, precursor do Partido Popular, venceu as eleições anteriores em 2023, mas foi impedido de formar governo devido à oposição de um Senado nomeado pelos militares e de parlamentares conservadores, permitindo a ascensão do Pheu Thai ao poder.
Referendo Constitucional e Mudanças Políticas
Durante a votação, os eleitores também serão questionados sobre a possibilidade de uma nova constituição substituir a de 2017, que é criticada por concentrar poder em instituições antidemocráticas. A Tailândia já teve 20 constituições desde 1932, a maioria das quais foi alterada após golpes militares.
Se a população apoiar a elaboração de uma nova carta, o novo governo poderá iniciar o processo de emenda no parlamento, o que exigirá mais dois referendos para a adoção da nova constituição.
Napon Jatusripitak, do think tank Thailand Future, acredita que o partido vencedor terá influência significativa na direção da reforma constitucional, independentemente de se afastar ou não da constituição atual.
Estratégias Políticas e Mobilização Eleitoral
A ascensão do Bhumjaithai, impulsionada pelo nacionalismo decorrente do conflito com o Camboja, e a queda do Pheu Thai, provocaram mudanças no cenário político, especialmente nas regiões agrícolas. Alguns partidos têm buscado atrair figuras locais conhecidas para conquistar redes de lealdade essenciais para vencer nas eleições.
O Partido Popular, com uma abordagem reformista, também ajustou sua estratégia, suavizando sua postura anti-establishment e trazendo novos talentos para demonstrar sua capacidade de governar. O ex-primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva entrou na disputa, buscando revitalizar o Partido Democrata, que pode se tornar uma força importante nas negociações de coalizão pós-eleitorais.
Wish Witchudakornkul, uma jovem de 20 anos que votou pela primeira vez, expressou esperança de que a Tailândia se torne mais justa, com mais democracia e oportunidades para todos. Ela participou do comício final do Partido Popular em Bangkok, cercada por apoiadores do movimento progressista.
Fonte por: CNN Brasil
