Tarifa de Trump sobre parceiros do Irã impacta a diplomacia brasileira

Fernanda Magnotta, analista de Internacional, comenta no CNN 360° sobre os desafios diplomáticos que o Brasil pode enfrentar devido à medida americana.

13/01/2026 21:20

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(Imagem de reprodução da internet).

Tarifa de 25% de Trump pode impactar Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a implementação de uma tarifa de 25% para países que mantêm relações comerciais com o Irã. Essa medida pode afetar o comércio brasileiro e, em um segundo momento, as relações político-diplomáticas do país, conforme análise de Fernanda Magnotta.

Magnotta esclarece que essa nova tarifa é uma forma de “tarifas secundárias”, atuando como uma punição para nações que fazem negócios com países já sancionados pelos EUA. No caso do Brasil, embora haja uma relação comercial direta com o Irã, o impacto mais significativo deve ser nas relações diplomáticas.

Impacto econômico e diplomático no Brasil

Economicamente, o Brasil exporta para o Irã produtos como milho, soja, açúcar e farelo, enquanto importa ureia, entre outros itens. Apesar dessa relação comercial, o volume de comércio com os EUA é cerca de 13 vezes maior do que com o Irã, o que coloca o Brasil em uma posição delicada ao decidir com quem se alinhar.

Magnotta destaca que, ao enfrentar essa situação, o Brasil pode ter que priorizar alguns setores específicos, mesmo que isso signifique expor a economia a tarifas indesejadas, como as que já foram enfrentadas anteriormente.

O papel do Brasil como “equilibrista diplomático”

A situação se torna ainda mais complexa no âmbito político-diplomático, onde o Brasil tem adotado uma postura cautelosa. O país busca manter boas relações com os Estados Unidos, um parceiro comercial essencial, enquanto também é membro do Brics Plus, do qual o Irã faz parte.

Magnotta observa que o Brasil precisa agir como um “agente duplo”, condenando os excessos do Irã, mas sem romper laços com os EUA. A nota oficial emitida pelo governo brasileiro reflete essa ambiguidade, equilibrando críticas à violência no Irã sem atacar diretamente o governo iraniano, ao mesmo tempo em que defende a não-interferência em assuntos soberanos.

Embora as perdas no comércio exterior brasileiro possam ser pontuais a curto prazo, o verdadeiro desafio reside em como o Brasil será percebido por ambas as partes no longo prazo, especialmente quando a tensão entre os países se intensificar.

Fonte por: CNN Brasil

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