Terra atinge recorde histórico de calor acumulado em 2025, segundo ONU

Relatório da Organização Meteorológica Mundial destaca impactos duradouros e António Guterres classifica crise climática como ’emergência global’

23/03/2026 7:30

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Calor Acumulado da Terra Atinge Nível Recorde em 2025

A quantidade de calor acumulado pela Terra alcançou um nível recorde em 2025, com possíveis consequências que podem perdurar por centenas e até milhares de anos, conforme alertou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da ONU. O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que o clima global está em uma situação de emergência, com todos os principais indicadores climáticos apresentando dados alarmantes.

O relatório anual da OMM introduziu, pela primeira vez, o desequilíbrio energético da Terra como um dos principais indicadores climáticos. Esse desequilíbrio reflete a velocidade com que a energia entra e sai do sistema planetário, sendo impactado pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa, que causam o aquecimento contínuo da atmosfera e dos oceanos, além do derretimento das geleiras.

Desde o início das observações em 1960, o desequilíbrio energético tem aumentado, especialmente nos últimos 20 anos, culminando em um novo recorde em 2025. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, enfatizou que a atividade humana está cada vez mais alterando o equilíbrio natural, e as consequências disso serão sentidas por gerações.

Calor nos Oceanos e Seus Efeitos

O relatório da OMM confirma que o período de 2015 a 2025 compreende os 11 anos mais quentes já registrados, com 2025 ocupando o segundo ou terceiro lugar, apresentando uma temperatura média 1,43°C acima da média de 1850-1900. O ano de 2024, influenciado por um forte episódio do fenômeno El Niño, continua sendo o mais quente já registrado.

Os eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais, têm causado grandes transtornos e evidenciado a vulnerabilidade das economias e sociedades interconectadas. O aquecimento dos oceanos e o derretimento das geleiras resultam em uma elevação do nível médio do mar, que se acelerou desde que as medições por satélite começaram em 1993. Em 2025, o nível do mar estava quase 11 centímetros acima do registrado no início das observações.

Mais de 91% do excesso de calor é armazenado nos oceanos, que atuam como um amortecedor contra o aumento das temperaturas terrestres. Contudo, a OMM alertou que o conteúdo de calor dos oceanos atingiu um novo recorde em 2025, com a taxa de aquecimento mais que dobrando entre os períodos de 1960-2005 e 2005-2025.

Desafios e Previsões Futuras

John Kennedy, especialista da OMM, informou que o clima ainda está sob a influência de um episódio de La Niña, que está associado a temperaturas globais mais baixas. As previsões indicam condições neutras até meados do ano, com a possibilidade de que o El Niño se torne o cenário mais provável no final do ano, o que geralmente resulta em um aumento das temperaturas em 2027.

A secretária-geral adjunta da OMM, Ko Barrett, ressaltou que os dados coletados devem ser utilizados para melhorar as previsões e justificar a necessidade de sistemas de alerta precoce, a fim de mitigar os impactos das mudanças climáticas. No entanto, ela também reconheceu que os indicadores climáticos não estão evoluindo de maneira otimista.

O relatório da OMM serve como um alerta sobre a aceleração do caos climático, enfatizando que qualquer atraso na adoção de medidas pode resultar em consequências devastadoras. Guterres reforçou a urgência de ações imediatas para enfrentar essa crise climática.

Fonte por: Jovem Pan

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