Ministro Toffoli Deixa Relatoria do Inquérito do Banco Master
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou seu afastamento da relatoria do inquérito do Banco Master nesta quinta-feira (12). A decisão ocorreu após a Polícia Federal (PF) enviar um relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin, sobre a análise do celular de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira.
Após uma reunião entre os ministros, que ocorreu a portas fechadas e se estendeu até as 20h30, Toffoli decidiu se retirar da relatoria. Apesar de ter argumentado que não via razões para tal, ele se sentiu isolado e optou por ceder à pressão dos colegas, que consideram que sua participação no caso tem gerado desgaste ao Supremo.
Em uma nota conjunta, os 10 ministros do STF afirmaram que as acusações não justificavam a arguição de suspeição contra Toffoli, reconhecendo a validade de suas ações na relatoria. Contudo, informaram que, com sua decisão, a presidência tomará as medidas necessárias para a extinção da ação e a designação de um novo relator, o que deve ocorrer ainda nesta quinta-feira.
Relatório da PF e Suspeição de Toffoli
O relatório da PF indicou que o celular de Vorcaro continha várias menções ao ministro Toffoli, levando a PF a solicitar a arguição de suspeição, que requer a declaração de Toffoli como “suspeito” para atuar no processo. Essa solicitação, no entanto, deve ser feita pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.
Toffoli, em nota, afirmou que o pedido era infundado e que a PF não tinha legitimidade para tal. Ele também mencionou que a resposta ao conteúdo do relatório seria apresentada ao presidente da Corte.
Pagamentos à Empresa de Toffoli
O relatório da PF revelou que Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, trocaram mensagens discutindo pagamentos à Maridt Participações, empresa da qual Toffoli e seus irmãos são sócios. As mensagens mencionavam diretamente o sobrenome Toffoli e os pagamentos estavam relacionados à aquisição do Tayaya Resort, onde a Maridt tinha participação.
Em resposta, Toffoli negou qualquer relação de amizade ou íntima com Vorcaro e afirmou que nunca recebeu valores dele ou de Zettel. Ele descreveu a Maridt como uma “empresa familiar” e esclareceu que a administração é feita por seus familiares, não por ele.
Contexto do Caso do Banco Master
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A e outras instituições associadas em novembro de 2025, após identificar irregularidades financeiras. Em janeiro de 2026, o Will Bank, parte do conglomerado de Vorcaro, também foi encerrado.
As investigações revelaram que o Banco Master oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rendimentos acima do mercado, assumindo riscos excessivos que comprometeram sua liquidez. Os casos do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em janeiro, são considerados os mais graves do sistema financeiro brasileiro, envolvendo tensões entre o STF, o Tribunal de Contas da União e a PF.
Em janeiro, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, com um total de R$ 40,6 bilhões a serem pagos em garantias.
Fonte por: Jovem Pan
