Denúncias de Trabalho Análogo à Escravidão na Fábrica da BYD
As acusações de trabalho análogo à escravidão durante a construção da fábrica da montadora chinesa BYD em Camaçari, na Bahia, ganharam destaque internacional após uma reportagem do jornal norte-americano Washington Post, publicada em 14 de março de 2026.
A matéria revela uma “fraude consciente e sistêmica” perpetrada pela BYD e suas empreiteiras, a China Jinjiang Construction Brazil e a Tecmonta Intelligent Equipment Brazil. A seguir, estão os principais pontos abordados na reportagem:
- Alojamentos – 56 trabalhadores chineses viviam em condições precárias, dividindo um único banheiro em um dos alojamentos.
- Impossibilidade de Escapar – Os funcionários tinham seus passaportes confiscados e eram forçados a trabalhar em condições exaustivas, dormindo trancados em dormitórios vigiados por guardas armados.
- Falsas Promessas – Os trabalhadores foram enganados com promessas de vistos, passagens aéreas, alojamento, alimentação e um salário superior a US$ 2.800 por mês.
- Descaso da Alta Direção da BYD – Funcionários relataram que alertaram a alta administração da BYD Brasil sobre as irregularidades, mas receberam respostas de que o governo brasileiro apoiava a empresa. O gabinete do presidente Lula negou as alegações e afirmou estar comprometido com os direitos humanos e a fiscalização das condições de trabalho.
- Indignação das Empresas Chinesas – As empresas envolvidas negaram as acusações e atribuíram as alegações a erros de tradução.
Para a elaboração da reportagem, o Washington Post analisou mais de 5.000 páginas de processos judiciais no Brasil e na China, além de entrevistar 41 pessoas, incluindo investigadores e ex-funcionários da BYD.
O Poder360 tentou contato com a BYD para obter uma posição sobre as denúncias, mas não recebeu resposta.
Histórico do Caso
Em 23 de dezembro de 2024, uma força-tarefa do Ministério Público do Trabalho resgatou 163 trabalhadores em condições análogas à escravidão e suspendeu parte das obras da fábrica da BYD em Camaçari. Os operários estavam em condições de trabalho precárias, e dias depois, outros 57 funcionários da Tonghe (atual Tecmonta) foram encontrados em situações semelhantes.
As investigações revelaram que todos os trabalhadores entraram no Brasil de forma irregular, com vistos de trabalho vinculados a funções especializadas, mas que não correspondiam às atividades realizadas nos canteiros de obras.
Na época, a BYD afirmou ter sido notificada sobre as irregularidades cometidas pela construtora terceirizada Jinjiang e rescindiu o contrato com a empresa. Em 27 de maio de 2025, o Ministério Público do Trabalho da Bahia processou a montadora, pedindo indenização de R$ 257 milhões por danos morais coletivos. O caso foi encerrado com um acordo de R$ 40 milhões em 26 de dezembro de 2025.
Fonte por: Poder 360
