Tráfego marítimo no Estreito de Ormuz continua restrito, mesmo com cessar-fogo

Apenas 16 navios de transporte de matérias-primas passaram pela passagem desde quarta-feira.

10/04/2026 17:20

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Tráfego no Estreito de Ormuz continua restrito

O tráfego no Estreito de Ormuz permanece limitado nesta sexta-feira (10), com centenas de navios mercantes bloqueados no Golfo. Essa situação ocorre dois dias após a implementação de um frágil cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã.

Desde o início da trégua, anunciada na noite de terça-feira, apenas sete petroleiros e nove graneleiros conseguiram atravessar essa importante via para o comércio marítimo internacional, que estava praticamente fechada pelo Irã desde o início da guerra em 28 de fevereiro. A reabertura do estreito era uma condição para a suspensão temporária dos disparos.

De acordo com dados do site Kpler, apenas 16 navios de transporte de matérias-primas cruzaram o estreito desde quarta-feira, um número ainda muito baixo. Desses, 10 eram do Irã ou tinham o país como destino, mantendo a mesma proporção de antes da trégua, cerca de 60%.

Impacto do bloqueio no comércio marítimo

Com uma média de oito embarcações por dia, o número de passagens se manteve estável em relação ao período anterior ao cessar-fogo. O tráfego segue 90% abaixo dos níveis normais, sendo sustentado quase totalmente pelo comércio iraniano, segundo Bridget Diakun, analista da Lloyd’s List Intelligence.

As estimativas indicam que as travessias devem se manter entre 10 a 15 passagens diárias, caso o cessar-fogo se mantenha. Entre 1º de março e 9 de abril, 328 passagens foram realizadas por navios que transportavam matérias-primas, com 208 delas correspondendo a petroleiros ou navios de transporte de gás, a maioria em direção ao golfo de Omã.

Navios bloqueados e produtos retidos

Atualmente, cerca de 800 navios estão bloqueados no Golfo desde o final de fevereiro, conforme informações do Lloyd’s List. Aproximadamente 600 desses navios são de transporte de mercadorias de médio a grande porte.

Em 7 de abril, cerca de 172 milhões de barris de petróleo bruto e produtos refinados estavam no mar no Golfo, distribuídos em aproximadamente 187 petroleiros. Além disso, há cerca de 40 navios de transporte de fertilizantes e 15 de gás natural liquefeito (GNL) na região.

O navio “Prix”, que transporta 25 mil toneladas de fertilizante sólido com destino à Tanzânia, estava prestes a cruzar o estreito, representando apenas o sétimo carregamento de fertilizantes a sair do Golfo desde o início da guerra.

Taxas de travessia impostas pelo Irã

Desde o início do conflito, o Irã começou a aplicar taxas para a travessia do estreito e pretende mantê-las nas negociações com os Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, alertou o Irã contra a imposição de qualquer pedágio, uma medida considerada inaceitável pela União Europeia e que gera divisões de opinião na região.

Relatos indicam que os navios poderiam ser cobrados em até 2 milhões de dólares por travessia, enquanto outras fontes mencionam uma taxa de um dólar por barril de petróleo, a ser paga em criptomoedas ou em yuans, a moeda chinesa.

Recentemente, o Irã impôs rotas alternativas para os navios que transitam pelo estreito, citando riscos de minas marítimas na rota habitual. A Guarda Revolucionária do Irã também informou que os navios que desejarem cruzar o estreito devem fazê-lo em coordenação com as forças navais iranianas.

Fonte por: Jovem Pan

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