Desafios e Inovações no Setor de Motocicletas
As principais montadoras do Polo Industrial de Manaus estão reavaliando suas projeções financeiras e estratégias de pós-venda para os próximos anos. A chegada de novas plataformas eletrificadas e a adaptação às novas normas de emissões criaram um desafio significativo para a indústria. Motoristas estão percebendo na prática por que os pneus de moto se desgastam mais rapidamente do que os pneus de carro, um problema que exige soluções inovadoras na cadeia de suprimentos.
A dinâmica de uma motocicleta requer um perfil de pneu arredondado, projetado para curvas, resultando em uma área de contato mínima com o asfalto. Para evitar derrapagens, a indústria utiliza compostos macios que garantem aderência, mas que se desgastam rapidamente devido ao atrito.
Impacto das Novas Regulamentações e Física da Tração
A implementação da quinta fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares (Promot 5) forçou as montadoras a instalar catalisadores maiores e sistemas de injeção mais complexos, aumentando o peso das motos a combustão. No caso das elétricas, o peso das baterias de lítio altera o centro de gravidade, sobrecarregando o eixo traseiro continuamente.
Esse peso extra, combinado com o torque imediato dos motores elétricos, resulta em um desgaste prematuro da banda de rodagem, reduzindo a vida útil dos pneus em até 30% em comparação aos modelos a combustão. Enquanto um pneu de carro pode durar até 50 mil quilômetros, o pneu traseiro de uma motocicleta de médio porte frequentemente precisa ser trocado antes de atingir 10 mil quilômetros.
Mudanças na Distribuição de Autopeças
Esse fenômeno já está alterando o ecossistema de distribuição no Brasil. Fornecedores globais precisaram antecipar o lançamento de pneus de duplo composto, que são mais duros no centro e macios nas laterais, adaptando essa tecnologia para o mercado urbano. Nas concessionárias, a demanda por serviços de reposição e balanceamento disparou, criando filas de espera devido à escassez de pneus que não acompanharam a crescente venda de scooters e motos elétricas.
Distribuidores de autopeças estão revisando o volume de importação de borracha vulcanizada, temendo a falta de componentes durante o período de maior uso da frota.
Custos de Reposição e Economia com Combustível
A promessa de mobilidade limpa e econômica está perdendo força nas finanças de famílias e frotistas de aplicativos. O argumento de isenção de IPVA para veículos elétricos e o baixo custo de recarga esbarram nos altos custos de manutenção. O custo por quilômetro aumenta significativamente quando os proprietários precisam trocar pneus a cada oito meses.
Além disso, as seguradoras estão ajustando seus algoritmos, pois o risco de acidentes por falta de aderência em motos com pneus desgastados eleva o valor do seguro, impactando o custo total de propriedade e o valor de revenda no mercado de seminovos.
Monitoramento do Desgaste dos Pneus
Os motociclistas devem ficar atentos ao indicador TWI (Tread Wear Indicator), que sinaliza o desgaste dos pneus. Se a banda de rodagem atingir esse limite antes de 5 mil quilômetros em uso urbano, pode haver problemas de calibragem, desalinhamento ou frenagens e acelerações bruscas.
Questões sobre o Desgaste dos Pneus
A entrega de força de um motor elétrico é instantânea, o que gera um esforço de tração que desgasta os pneus rapidamente. Essa força é descarregada imediatamente no asfalto, resultando em um desgaste acelerado.
Os pneus de carro utilizam compostos sintéticos focados na durabilidade, enquanto os pneus de moto priorizam a aderência, sacrificando resistência à abrasão. O futuro da mobilidade urbana no Brasil dependerá da capacidade de desenvolver materiais que equilibrem custo e durabilidade, especialmente com a expectativa de que as novas baterias de estado sólido reduzam o peso dos veículos e melhorem a performance dos pneus.
Fonte por: Jovem Pan
