Fim do Tratado Novo START Impacta Controle Nuclear Global
O tratado Novo START, assinado pela primeira vez em 2010, estabelecia um limite de 1.550 ogivas nucleares implantadas para cada parte, representando uma redução de quase 30% em relação ao limite anterior de 2002. No entanto, este acordo expirou em 5 de fevereiro de 2023, marcando uma mudança significativa no controle de armamentos desde a Guerra Fria.
Com a expiração do Novo START, tanto a Rússia quanto os Estados Unidos estão livres de restrições sobre seus arsenais nucleares. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação, classificando o momento como “sério para a paz e a segurança internacionais” e pedindo que ambas as nações retornem às negociações para estabelecer um novo acordo.
Reações à Expiração do Tratado
A Rússia anunciou oficialmente o fim de sua vinculação ao tratado, afirmando que não se sente mais obrigada a cumprir suas obrigações. O Ministério das Relações Exteriores russo declarou que as partes do Novo START não estão mais ligadas a qualquer compromisso. O assessor diplomático de Putin, Yuri Ushakov, ressaltou que a Rússia agirá com prudência e responsabilidade, mantendo-se aberta a negociações.
Nos Estados Unidos, as autoridades demonstraram cautela em suas respostas. O secretário de Estado, Marco Rubio, mencionou que o presidente Trump se manifestaria sobre o assunto em momento oportuno, destacando a necessidade de incluir a China em futuras discussões sobre controle de armas.
China e o Crescimento do Arsenal Nuclear
A China, por sua vez, afirmou que não participará de negociações nucleares neste momento, enfatizando a importância de manter a estabilidade estratégica global. O porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian, destacou que as capacidades nucleares da China são significativamente diferentes das dos EUA e da Rússia.
Analistas apontam que o arsenal nuclear da China está em rápida expansão, com cerca de 550 lançadores estratégicos, em comparação com os 800 de cada um dos EUA e da Rússia. O papa Leão XIV também se manifestou, alertando sobre o risco de uma nova corrida armamentista e pedindo esforços para evitar tal cenário.
Consequências e Futuro do Controle de Armas
O fim do Novo START é visto como um retrocesso nas normas internacionais que promovem a estabilidade estratégica. A França, única potência nuclear da União Europeia, fez um apelo para que as grandes potências nucleares trabalhem em um sistema internacional de controle de armamentos. O Ministério das Relações Exteriores francês atribuiu a responsabilidade pelo fracasso das negociações à Rússia.
Organizações não governamentais, como a ICAN, pediram que Rússia e EUA se comprometam a respeitar os limites do tratado enquanto buscam um novo acordo. Além disso, sobreviventes das bombas atômicas de 1945 expressaram preocupação com a possibilidade de uma guerra nuclear diante do fim do Novo START.
O Kremlin lamentou a expiração do tratado, considerando-a uma perda significativa para a regulamentação dos arsenais nucleares. O porta-voz Dmitri Peskov expressou pesar pela situação, destacando a importância do acordo para a segurança global.
Fonte por: Jovem Pan
