Unicamp apresenta banco de dados inovador sobre desinformação antivacina

Recod.ai lança projeto que reúne milhões de mensagens do Telegram para combater desinformação em saúde pública

17/03/2026 8:20

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A análise abrangeu publicações feitas entre janeiro de 2020 e ju...

Banco de Dados da Unicamp Combate Desinformação Antivacina

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram um banco de dados inovador para enfrentar a desinformação relacionada às vacinas. A iniciativa é liderada pelo laboratório de inteligência artificial Recod.ai, que coletou quatro milhões de postagens e 1,4 milhão de arquivos multimídia do Telegram, abrangendo o período de janeiro de 2020 a junho de 2025.

O objetivo principal é fornecer uma ferramenta que valorize informações baseadas em evidências no campo da saúde pública, suprindo a falta de dados organizados sobre a infodemia no Brasil.

Impactos da Desinformação na Saúde Pública

A pesquisa revela que a desinformação não se limita à saúde, mas também abrange disputas políticas e desconfiança nas instituições, resultando em consequências como a diminuição da cobertura vacinal. A análise do Recod.ai se concentrou na pandemia de Covid-19 e nos anos subsequentes, quando houve um aumento significativo de conteúdos enganosos sobre tratamentos e vacinas.

Os pesquisadores identificaram padrões de propagação dessas narrativas e destacaram a existência de uma estrutura organizada por trás da disseminação da desinformação. Canais específicos foram encontrados, que se dedicam exclusivamente à propagação de informações falsas, enquanto outros apenas compartilham esse conteúdo.

Motivações e Estratégias de Disseminação

Leopoldo Lusquino Filho, colaborador do Recod.ai, enfatiza que as estratégias de comunicação que se destacam nesse ambiente têm semelhanças com os mecanismos de seleção natural. A pesquisa também observou a influência de eventos externos, como eleições, que amplificam a desinformação, além da participação de robôs na disseminação de mensagens.

A doutoranda Michelle Diniz Lopes destacou a importância de entender as motivações por trás do consumo de informações negacionistas, especialmente em relação à vacinação, e as estratégias que tornam essa desinformação eficaz.

Detalhes do Banco de Dados

O banco de dados possui 5,5 terabytes de armazenamento, reunindo conteúdos de 71.672 usuários em 119 grupos do Telegram, incluindo 407.723 mensagens especificamente antivacina. Ele está disponível gratuitamente no Repositório de Dados da Unicamp para fins não comerciais, com a garantia de anonimização dos dados dos usuários.

Christiane Versuti, pós-doutoranda que acompanhou os grupos do Telegram, ressaltou que a falta de letramento midiático agrava a situação, pois muitas pessoas não verificam as fontes antes de compartilhar informações.

Expansão para Outras Redes Sociais

O Recod.ai planeja expandir suas bases de dados para outras plataformas, como Instagram, YouTube e X, ainda este ano. Os pesquisadores também pretendem se reunir com o Ministério da Saúde para apresentar a ferramenta como um recurso para futuras políticas públicas.

O projeto recebeu apoio financeiro da Fapesp, CNPq e do Ministério da Saúde, através do Projeto Aletheia, que utiliza inteligência artificial e linguística computacional para combater a desinformação em saúde.

Fonte por: CNN Brasil

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