USP cria bateria de nióbio inovadora e recarregável
Desenvolvimento avança após 10 anos e entra em testes industriais; sistema opera de maneira estável em arquiteturas industriais.
USP Desenvolve Bateria Funcional de Nióbio
A Universidade de São Paulo (USP) criou uma bateria funcional de nióbio que opera com 3 volts, é recarregável e pode ser utilizada em ambientes reais, fora das condições ideais de laboratório. Atualmente, a tecnologia está em fase de testes industriais.
Desenvolvimento e Inovações
O projeto, liderado pelo professor Frank Crespilho do Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP), teve início há 10 anos. Crespilho, que também é pesquisador do Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica e Sustentabilidade, conseguiu superar o principal desafio da construção de baterias de nióbio: a degradação do metal em ambientes eletroquímicos, especialmente na presença de água e oxigênio.
Para estabilizar o nióbio, o grupo desenvolveu uma “caixa de proteção inteligente”, chamada NB-RAM (Niobium Redox Active Medium), que permite ao nióbio mudar de nível de forma controlada sem se degradar, semelhante ao que ocorre em sistemas biológicos.
Contribuições da Pesquisadora Luana Italiano
A pesquisadora Luana Italiano foi fundamental para o avanço da bateria, dedicando dois anos ao refinamento do sistema. O trabalho envolveu diversas versões experimentais e ajustes no ambiente químico e nos mecanismos de proteção do material ativo, visando garantir estabilidade e reprodutibilidade.
Luana destacou que o principal desafio foi equilibrar a proteção do sistema com o desempenho elétrico da bateria, pois uma proteção excessiva poderia comprometer a entrega de energia, enquanto uma proteção insuficiente levaria à degradação.
Resultados e Futuro da Tecnologia
O protótipo funcional da bateria de nióbio já foi testado em formatos industriais, como células tipo coin e pouch, em colaboração com a Unicamp. Os testes demonstraram a viabilidade da tecnologia em ambientes controlados, com a bateria sendo carregada e descarregada várias vezes.
Para avançar para a fase final do desenvolvimento, Crespilho enfatiza a necessidade de um centro multimodal de pesquisa e inovação, envolvendo governos, universidades e startups. Ele ressalta que a bateria de nióbio é um exemplo de que o Brasil pode liderar tecnologias, desde que a ciência seja priorizada.
Fonte por: Poder 360
Autor(a):
Redação
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