Viana convida Dino a explicar decisão sobre Lulinha na CPMI do INSS

Ministro suspende quebras de sigilo bancário e fiscal aprovadas pela comissão na noite de 5ª feira (5.mar).

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Presidente da CPMI do INSS critica Dino por derrubada de quebra de sigilo

Presidente da CPMI do INSS critica Dino por derrubada de quebra de sigilo

Presidente da CPMI do INSS Convoca Flávio Dino para Esclarecimentos

O senador Carlos Viana, presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, solicitou que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), compareça ao Congresso Nacional. O objetivo é que Dino explique sua decisão de suspender a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que havia sido aprovada pela comissão.

Em uma declaração feita na sexta-feira (6 de março de 2026), Viana anunciou que apresentará um pedido formal à CPMI, convidando Dino para prestar esclarecimentos sobre os fundamentos de sua decisão. Como se trata de um convite, o ministro tem a opção de recusar a solicitação.

Motivo do Convite

Segundo Viana, a iniciativa visa promover um diálogo institucional entre os Poderes da República, considerando os impactos diretos que a decisão de Dino teve sobre as investigações da CPMI. Ele ressaltou que, caso o convite seja aceito, será uma oportunidade importante para esclarecer a situação e fortalecer as instituições. Se Dino não puder comparecer, o Congresso terá cumprido seu papel de buscar esse diálogo.

Decisão de Flávio Dino

Na quinta-feira (5 de março de 2026), Flávio Dino decidiu suspender as quebras de sigilo bancário e fiscal que haviam sido aprovadas pela CPMI do INSS. Essa decisão anula a votação realizada em 26 de fevereiro, na qual diversos requerimentos foram aprovados em bloco, sem análise individualizada. A medida afeta, entre outros, Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dino argumentou que, embora as CPIs e CPMIs tenham o poder de determinar a quebra de sigilo, devem agir com a mesma responsabilidade de um juiz, o que implica a necessidade de fundamentação técnica e votação individualizada para cada investigado.

Críticas à Decisão

O ministro criticou a atuação da CPMI, comparando-a a um tribunal e afirmando que decisões simbólicas ou baseadas em “olhômetro” não são aceitáveis. Ele alertou que a falta de um procedimento adequado pode resultar em nulidade jurídica, enfatizando que a investigação não deve se transformar em mero conteúdo para campanhas políticas.

Reação da CPMI

Carlos Viana expressou sua indignação em relação à decisão de Dino, afirmando que a votação em bloco é uma prática comum no Congresso, utilizada para garantir a celeridade das investigações. Ele destacou que essa prática foi ratificada pela presidência do Congresso e que a suspensão das quebras de sigilo prejudica o equilíbrio entre os Poderes, especialmente em um momento crucial da investigação sobre desvios de recursos do INSS.

Quebra de Sigilo Autorizada pela PF

A decisão de Dino não afeta outras investigações em andamento. Em fevereiro de 2026, o ministro André Mendonça, também do STF, autorizou a quebra de sigilo de Lulinha a pedido da Polícia Federal, que permanece válida por ter sido determinada em um inquérito policial com justificativa específica.

Efeito da Decisão de Dino

A suspensão determinada por Dino se aplica a todos os alvos da votação de 26 de fevereiro. O ministro utilizou o princípio do litisconsórcio unitário, que exige que a decisão judicial seja uniforme para todos os envolvidos no mesmo ato processual, evitando assim o “efeito multiplicador” de novos recursos. Dino afirmou que a CPMI do INSS poderá realizar novas deliberações, desde que respeite o devido processo legal e analise os pedidos de forma individualizada.

Fonte por: Poder 360

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