Influência Chinesa na América do Sul Aumenta em Meio a Tensões Comerciais
Desde o anúncio do “Dia da Libertação” pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em abril do ano passado, mais de 180 países foram taxados, levando a seis líderes sul-americanos a se reunirem pessoalmente com o presidente da China, Xi Jinping. A China, rival comercial dos EUA, tem se destacado no comércio global, especialmente na América do Sul.
A região se tornou um importante campo de batalha na disputa comercial entre China e Estados Unidos. Desde 2024, a China se consolidou como o principal parceiro comercial de vários países sul-americanos, superando os EUA, que eram o maior parceiro em 2000. Atualmente, a China lidera em seis países, incluindo Brasil e Argentina.
A visita dos líderes sul-americanos à China, durante o 4º Fórum China-Celac, ilustra a crescente influência chinesa na região. Embora o evento não tenha sido diretamente relacionado às tarifas de Trump, serviu como uma plataforma para discutir estratégias de cooperação entre a América Latina e a China, visando superar as barreiras impostas pelos EUA.
Reuniões e Críticas à Política Norte-Americana
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do fórum e se encontrou com Xi Jinping, onde expressou sua insatisfação com as tarifas impostas por Trump, alertando que o protecionismo dos EUA poderia desencadear conflitos globais. O chanceler chinês, Wang Yi, reforçou a ideia de que a cooperação entre a China e a América Latina é “inevitável” e convocou os países a se unirem contra as ações unilaterais dos EUA.
Na terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, Xi Jinping se reuniu com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, enfatizando a importância do multilateralismo e da colaboração econômica. Apesar das reuniões, não foram anunciados grandes acordos, com a China buscando se posicionar como uma alternativa às pressões dos EUA.
O próximo encontro de Xi pode ser com Javier Milei, presidente da Argentina, que já se manifestou contra a influência chinesa, mas expressou interesse em visitar a China ainda em 2026.
Contexto Histórico da Disputa de Influência
A disputa por influência na América do Sul é complexa, especialmente considerando a história da região. No século 19, os EUA implementaram a Doutrina Monroe, que buscava excluir potências externas do Hemisfério Ocidental para garantir sua predominância. Em 2025, os EUA reafirmaram essa posição, adicionando o “Corolário Trump”, que permite intervenções diretas para proteger seus interesses na América Latina.
Um exemplo dessa intervenção foi a operação que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, com os EUA pressionando o governo da Venezuela a fornecer petróleo. Essa ação impactou os interesses chineses, que investiram significativamente no país e agora buscam proteger suas operações.
Maduro, que se encontrou com Xi em um evento em Moscou em 2025, não teve uma reunião bilateral com o líder chinês, refletindo as tensões e a complexidade das relações entre os países envolvidos.
Fonte por: Poder 360
