Biólogos descobrem antidepressivo no cérebro de tubarões do RJ

Cientistas encontram sertralina, ativo do Zoloft e de vários antidepressivos, no tecido cerebral. Confira no Poder.

27/06/2026 08:30

3 min

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Sertralina e sua Presença nos Tubarões do Rio de Janeiro

A sertralina, um dos antidepressivos mais utilizados no Brasil, teve suas vendas aumentadas em 11% entre 2022 e 2023. Um levantamento nacional revelou que 18,6% mais brasileiros passaram a utilizar medicamentos para saúde mental nos últimos dois anos. Contudo, poucos sabem que parte desses medicamentos é excretada pelo organismo e acaba contaminando o meio ambiente, incluindo os oceanos.

O Impacto do Projeto EcoShark

O Projeto EcoShark, coordenado pela professora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, investiga a saúde dos tubarões na costa do Rio de Janeiro desde 2018. O estudo, que ainda será publicado, já identificou a presença de sertralina no tecido cerebral de tubarões-martelo, espécies criticamente ameaçadas de extinção. Esses tubarões foram capturados acidentalmente em redes de pesca, e a pesquisa revelou que eles acumulam substâncias presentes na cadeia alimentar, incluindo resíduos de medicamentos.

Como os Antidepressivos Chegam ao Oceano

Após a ingestão de sertralina, o corpo humano metaboliza o fármaco, que é excretado pelo organismo e chega aos sistemas de esgoto. As estações de tratamento de esgoto, projetadas para remover matéria orgânica, não conseguem eliminar completamente os compostos farmacêuticos. No Rio de Janeiro, apenas 47% do esgoto gerado é tratado adequadamente, resultando na liberação de resíduos no oceano, onde são absorvidos por organismos marinhos.

Um Problema Global

O fenômeno não é exclusivo do Brasil. Um estudo realizado nas Bahamas revelou que tubarões na região apresentavam resíduos de substâncias como cocaína e analgésicos. Isso levanta questões sobre o que acontece com os tubarões que habitam áreas costeiras poluídas, como as do Rio de Janeiro, onde a exposição a essas substâncias pode afetar sua saúde e comportamento.

Consequências da Contaminação

A presença de sertralina no cérebro dos tubarões é preocupante, pois pode indicar bioacumulação e exposição a substâncias que afetam o sistema nervoso. Estudos em laboratório mostraram que peixes expostos a concentrações semelhantes de sertralina apresentaram alterações comportamentais. A questão que se coloca é: como isso impacta os tubarões que vivem em ambientes contaminados?

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Desafios e Crises Interligadas

A detecção de sertralina nos tubarões-martelo do Rio de Janeiro destaca três crises interligadas: a saúde mental, o saneamento e a conservação marinha. O aumento no consumo de antidepressivos reflete um avanço no diagnóstico, mas também revela a falta de monitoramento sobre o destino desses medicamentos. Além disso, a crise de saneamento no estado contribui para a contaminação dos oceanos, enquanto a conservação dos tubarões é crucial para o equilíbrio do ecossistema marinho.

Ações Necessárias

É urgente implementar ações que incluam o monitoramento de fármacos em tubarões e outros organismos marinhos. As estações de tratamento de esgoto precisam ser modernizadas para eliminar micropoluentes, e o financiamento para pesquisas em ecotoxicologia marinha deve ser ampliado. A presença de sertralina nos tubarões é um alerta sobre o impacto humano no meio ambiente e a necessidade de uma abordagem integrada para enfrentar essas questões.

Fonte por: Poder 360

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