Bolívia institui estado de exceção em nova medida governamental

Retorno à Normalidade na Bolívia Após Celebração Andina
A celebração do Ano Novo Andino, marcada por oferendas à Pachamama, trouxe uma pausa nos protestos sociais na Bolívia, permitindo um lento retorno à normalidade. Isso ocorreu após a declaração de estado de exceção, que encerrou mais de 50 dias de bloqueios de estradas que isolavam La Paz e outras regiões do país.
Na madrugada do domingo (21), milhares de bolivianos se dirigiram às montanhas e mirantes em La Paz para receber os primeiros raios de sol, que, segundo a cosmovisão andina, são carregados de energia cósmica. Essa celebração remonta aos antigos povos pré-hispânicos e coincide com o solstício de inverno no Hemisfério Sul.
Desbloqueio das Estradas e Crise Social
Os bloqueios de estradas, que eram um protesto contra o governo, começaram a ser desfeitos gradualmente desde sábado, quando o presidente Rodrigo Paz declarou estado de exceção em todo o país. Apesar da crise social e da escassez de combustível, a tradição da celebração foi mantida, embora a participação tenha sido reduzida.
Um dos principais sindicatos rurais, que liderou os bloqueios, anunciou uma pausa no conflito e ordenou a retirada dos manifestantes até a próxima semana, para avaliar a situação após a declaração do estado de exceção. Essa pausa também permitirá que os membros participem das festividades, conforme comunicado da organização.
Continuação dos Protestos e Acusações ao Ex-Presidente
Antes da celebração, a Assembleia Legislativa ratificou, por maioria, o decreto que instituiu o estado de exceção. Apenas o sindicato cocalero, alinhado ao ex-presidente Evo Morales, continua em protesto. O governo acusa Morales de instigar e financiar as mobilizações para obter “impunidade” em uma investigação judicial por suposto abuso de uma menor durante seu mandato. O político, de 66 anos, permanece em sua base no Chapare desde 2024 e se recusa a comparecer à justiça.
Leia também
Impactos Econômicos e Situação das Estradas
As forças de segurança, que começaram a desobstruir as rotas no sábado, não atuaram no Chapare, onde os bloqueios ainda persistem. Os sindicatos cocaleros mantêm o controle dessa região, que também é associada a atividades de narcotráfico, segundo informações do governo e da polícia.
Durante o período de conflito, centenas de caminhões ficaram presos nas estradas, mas os caminhoneiros conseguiram retornar para casa na véspera. Empresários estimam que as perdas econômicas ultrapassam US$ 2 bilhões, resultando em desabastecimento de combustíveis e alimentos nas cidades, o que agrava a já difícil recuperação econômica do país, que enfrenta a pior crise em quatro décadas.
Fonte por: Jovem Pan
Autor(a):
Redação
Responsável pela produção, revisão e publicação de matérias jornalísticas no portal, com foco em qualidade editorial, veracidade das informações e atualizações em tempo real.


