Cinema brasileiro alcança destaque no cenário internacional

O sucesso dos dois filmes nas premiações e bilheteiras sugere um crescimento do audiovisual brasileiro. Confira no Poder360.

15/03/2026 16:40

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Wagner Moura e Kleber Mendonça em bastidores do filme "O Agente ...

Cinema Brasileiro em Destaque no Oscar

Durante mais uma cerimônia do Oscar, o cinema brasileiro ganha destaque internacional. Após a vitória histórica de “Ainda Estou Aqui” como melhor filme internacional no ano anterior, o Brasil retorna à competição com “O Agente Secreto”, que recebeu indicações em quatro categorias.

Dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, “Ainda Estou Aqui” atraiu mais de 5,8 milhões de espectadores, tornando-se um dos filmes de maior público na história do cinema nacional. Por sua vez, “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, também teve grande sucesso, com mais de 2,5 milhões de ingressos vendidos, gerando discussões sobre o espaço do cinema brasileiro no mercado.

O sucesso desses filmes nas premiações e nas bilheteiras sugere um momento de crescimento para o audiovisual brasileiro, embora especialistas alertem para um cenário desigual nas salas de exibição.

Expansão do Audiovisual Brasileiro

Dados da Ancine (Agência Nacional do Cinema) indicam que o setor audiovisual brasileiro está em forte expansão. Em 2025, foram registrados R$ 1,41 bilhão em recursos públicos, o maior volume da história, representando um crescimento de 29% em relação a 2024 e de 179% em comparação a 2021.

Atualmente, 1.556 projetos audiovisuais estão em execução com apoio da agência, enquanto 3.697 estão em fase de captação de recursos. O país também alcançou um novo recorde com 3.981 obras audiovisuais não publicitárias em 2025, impulsionadas principalmente pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que financia filmes, séries e formação profissional.

Desafios de Público

Apesar do crescimento na produção, muitos filmes nacionais ainda enfrentam dificuldades para atrair espectadores. Em 2025, as produções brasileiras somaram 11,9 milhões de espectadores, mas quase metade desse total veio de lançamentos do ano anterior.

Dos 203 títulos brasileiros lançados em 2025, apenas sete concentraram 73% do público, enquanto 111 filmes não conseguiram atrair mil espectadores. A média de público por filme foi de apenas 719 espectadores, evidenciando a distância entre produção e distribuição no setor.

Especialistas afirmam que os investimentos em produção não são acompanhados por recursos adequados para comercialização e lançamento, o que demanda políticas públicas que considerem toda a cadeia produtiva do audiovisual.

Política de Cota de Tela

Uma das estratégias para aumentar a presença do cinema nacional é a política de cota de tela, regulamentada pela Lei 14.815/2024, que foi prorrogada até 2033. Em dezembro de 2025, novas regras foram estabelecidas, exigindo que cinemas comerciais reservem um número mínimo de sessões para filmes brasileiros.

A regulamentação visa equilibrar o mercado, dominado por grandes lançamentos estrangeiros, e garantir visibilidade à produção nacional. Apesar dos investimentos recordes e do reconhecimento internacional, o cinema brasileiro ainda enfrenta o desafio de ampliar seu público.

A complexidade da cadeia do setor, que abrange criação, financiamento, produção, distribuição e exibição, exige políticas integradas para que os filmes cheguem efetivamente às telas e ao público.

Impacto Cultural e Econômico

O diretor Kleber Mendonça Filho, em seu documentário “Retratos Fantasmas”, discute a história das salas de cinema no Recife e o desaparecimento de muitos desses espaços. Para Silvia Cruz, diretora da distribuidora Vitrine Filmes, o sucesso de “O Agente Secreto” reflete uma mudança na relação do público com a cultura.

Ela destaca que a mobilização em torno do filme demonstra um orgulho coletivo e um reconhecimento do Brasil no cenário cultural internacional. O engajamento do público também teve repercussão positiva nas redes sociais, ampliando o alcance do filme.

Silvia Cruz enfatiza que a recente reconstrução das políticas culturais foi crucial para o retorno do cinema brasileiro aos principais festivais e premiações, mostrando que o audiovisual tem um impacto econômico significativo, gerando empregos e reforçando a identidade nacional.

Fonte por: Poder 360

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