Deolane afirma que prisão foi por exercício da profissão; assista audiência de custódia

Deolane Bezerra Defende Legalidade de Sua Prisão
Deolane Bezerra argumentou que sua prisão é ilegal, pois ocorreu durante o exercício de sua profissão como advogada. Ela foi detida por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e passou por uma audiência de custódia na quinta-feira (21).
Durante a audiência, Deolane afirmou que o valor de R$ 24 mil, que recebeu, era um pagamento por serviços prestados a um cliente em 2020. Sua defesa alegou que a prisão é um excesso, considerando que ela é mãe de uma criança de nove anos e que os supostos crimes ocorreram há muito tempo, sem violência ou grave ameaça.
Após a audiência, na sexta-feira (22), a prisão de Deolane foi convertida de flagrante para preventiva, e ela foi transferida do Complexo Prisional de Santana para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
Operação Vérnix e Envolvimento de Deolane
Deolane Bezerra foi um dos alvos da Operação Vérnix, realizada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC. Segundo os investigadores, Deolane teria atuado como “caixa” da facção, recebendo valores através de uma empresa de transportes associada ao grupo criminoso.
Além de Deolane, outros alvos da operação incluem Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e seus familiares. A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão, resultando no bloqueio de mais de R$ 327 milhões em bens e valores, além da apreensão de 17 veículos, incluindo carros de luxo.
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A investigação revelou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, além da utilização de empresas para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento de dinheiro. A Operação Vérnix também possui desdobramentos internacionais, com três investigados localizados na Itália, Espanha e Bolívia, incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol.
Transportadora Utilizada no Esquema de Lavagem
As investigações começaram em 2019, após a apreensão de documentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que revelaram a estrutura interna do PCC e ordens da facção. A Polícia Civil instaurou inquéritos que identificaram uma empresa de transportes, a Lopes Lemos Transportes Ltda, como um meio para ocultar e movimentar recursos ilícitos do PCC.
A transportadora teria movimentado mais de R$ 20 milhões, com discrepâncias significativas entre os valores declarados ao Fisco e as movimentações financeiras. A Justiça reconheceu que a empresa foi utilizada para lavagem de capitais em benefício do PCC.
Funcionamento do Esquema do PCC
As investigações indicam que o esquema era comandado por Marcola e seu irmão de dentro do sistema penitenciário. Conversas em celulares apreendidos mostraram que familiares e associados estavam envolvidos na administração financeira da transportadora, no repasse de ordens e na divisão dos lucros.
Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho foram identificados como beneficiários e intermediários das movimentações financeiras, enquanto Everton de Souza, conhecido como “Player”, orientava os repasses financeiros da organização criminosa.
O inquérito concluiu que a organização mantinha um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, com a participação de membros da cúpula do PCC, familiares e operadores financeiros ligados à facção.
Fonte por: Jovem Pan
Autor(a):
Redação
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