Incêndio em reator pode impactar produção de remédios para câncer de próstata

Com a suspensão da produção de lutécio-177, Brasil se torna totalmente dependente da importação do radiofármaco.

26/03/2026 12:20

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(Imagem de reprodução da internet).

Incêndio no Reator IEA-R1 Pode Afetar Tratamento de Câncer no Brasil

Um incêndio na sala de controle do reator nuclear de pesquisa IEA-R1, localizado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) em São Paulo, pode impactar diretamente o tratamento de câncer no Brasil. Este reator é a única instalação do país responsável pela produção de lutécio-177, um radioisótopo essencial em terapias contra câncer de próstata e tumores neuroendócrinos.

Consequências da Interrupção das Atividades

O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), Alessandro Facure, informou que o reator ficará fora de operação por tempo indeterminado, o que pode comprometer o fornecimento do insumo no Brasil. Além de sua função na produção de lutécio-177, a instalação também era utilizada para pesquisas científicas.

A interrupção das atividades do reator significa que o Brasil dependerá da importação do radiofármaco, o que pode aumentar os custos, reduzir a disponibilidade e afetar a continuidade dos tratamentos oncológicos.

Impacto na Eficácia dos Medicamentos

A importação de radioisótopos apresenta um desafio, pois o tempo de transporte pode comprometer a eficácia dos medicamentos. Os radioisótopos têm uma “meia-vida”, que é o tempo necessário para que metade da substância se desintegre, tornando a entrega rápida essencial para a manutenção de sua eficácia.

Investigação do Incêndio e Questões de Segurança

O incêndio, que ocorreu nos dias 24 e 25 de março, gerou surpresa entre especialistas, uma vez que o reator estava inativo desde novembro de 2025. A ANSN está investigando o incidente, que envolveu um incêndio localizado sem risco radiológico, atingindo racks e cabeamento da sala de controle. No entanto, o Ipen apresentou uma versão diferente, alegando que não houve incêndio, mas apenas a presença de fumaça densa.

Embora não tenha havido risco nuclear, a ANSN expressou preocupações sobre a segurança ocupacional, especialmente em relação à inalação de resíduos químicos e fuligem. A retomada das atividades do reator dependerá de uma limpeza industrial especializada e de novas avaliações técnicas.

Fonte por: CNN Brasil

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