MPF revela que ditadura incinerou corpos de camponeses em usinas na Paraíba

Ação do MPF contra a União e o Estado da Paraíba por Violações de Direitos Humanos
O Ministério Público Federal (MPF) protocolou, na terça-feira (26), uma ação civil pública contra a União e o estado da Paraíba, denunciando graves violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar. O documento revela que corpos de camponeses associados às Ligas Camponesas da Paraíba foram queimados em fornalhas de usinas de açúcar para ocultar evidências de assassinatos e torturas perpetrados por agentes estatais e latifundiários após o golpe de 1964.
A investigação do MPF destaca casos de líderes como João Alfredo Dias, conhecido como “Nego Fuba”, e Pedro Inácio de Araújo, o “Pedro Fazendeiro”, que desapareceram entre agosto e setembro de 1964 após serem detidos no 15º Regimento de Infantaria, em João Pessoa.
O documento aponta uma estratégia coordenada para desmantelar a organização camponesa, que incluiu desaparecimentos forçados, prisões ilegais e mortes. Segundo a decisão, os corpos dos militantes foram incinerados para eliminar vestígios das execuções, com testemunhos indicando que as vítimas foram levadas a usinas açucareiras, onde foram executadas e seus corpos destruídos.
Justiça de Transição e Pedidos do MPF
A ação se baseia no conceito de Justiça de Transição, que impõe ao Estado o dever de reconhecer violações passadas e reparar as vítimas. O MPF enfatiza que a repressão foi marcada por uma “simbiose operacional” entre as Forças Armadas, polícias militares e milícias privadas financiadas por grandes proprietários de terra.
Entre os pedidos do Ministério Público estão:
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- Um pedido oficial de desculpas à população brasileira;
- Pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 1 milhão;
- Abertura e preservação de arquivos históricos da época;
- Implementação de medidas educativas e criação de lugares de memória sobre as Ligas Camponesas;
O documento também menciona a cadeia de comando responsável pelas operações, citando nomes como o Major José Benedito Montenegro de Magalhães Cordeiro e o Coronel da Polícia Militar Luiz Ferreira Barros. Como os envolvidos já faleceram, o MPF busca a responsabilização civil dos entes públicos para garantir que os fatos sejam esclarecidos e que medidas de “não repetição” sejam adotadas.
Para o órgão, esclarecer esses crimes é fundamental para romper um padrão de violência e impunidade que ainda persiste no campo. A ação destaca que a ocultação dos corpos impediu que as famílias realizassem o luto, prolongando o sofrimento por décadas devido à falta de informações oficiais e à negativa do direito à despedida.
Fonte por: Jovem Pan
Autor(a):
Redação
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