Patrimônio dos 10% mais ricos apresentou aumento de 6,9% ao ano entre 2017 e 2023, aponta análise

De acordo com economistas, lucros e dividendos são os principais responsáveis pelo aumento da concentração de renda.

19/08/2025 3:28

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Patrimônio dos 10% mais ricos apresentou aumento de 6,9% ao ano entre 2017 e 2023, aponta análise
(Imagem de reprodução da internet).

Entre 2017 e 2023, a fatia da renda nacional pertencente ao 1% mais rico da população brasileira cresceu de 20,4% para 24,3%, conforme estudo técnico conduzido por Ségio Wulff Gobetti, Priscila Kaiser Monteiro e Frederico Nascimento Dutra.

A pesquisa, divulgada no portal FiscalData, utiliza dados do IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física) e revela que a parcela dos 0,1% mais ricos concentrou 85% desse crescimento. A íntegra do estudo está disponível (PDF – 765 kB).

A análise aponta que o grupo de 0,01% da pirâmide econômica detém atualmente 6,2% de toda a renda disponível das famílias brasileiras. A metade da renda do 0,1% está concentrada no 0,01%, e a metade da renda do 0,1% pertence ao 0,01%.

A média da renda dos brasileiros aumentou 1,5% ao ano desde 2017, ao passo que a dos 0,1% mais ricos cresceu 6,9% ao ano. No grupo de 0,01%, o crescimento foi de 8% ao ano.

Entre 2017 e 2023, a participação dos 0,1% mais ricos cresceu de 9,1% para 12,5%.

Lucros e dividendos são os principais responsáveis por essa concentração. No grupo dos 0,1% mais ricos, 66% do aumento na participação da renda originou-se dessas fontes. Entre os demais integrantes do 1%, o crescimento desses rendimentos acompanha a queda dos salários, indicando um processo de “pejotização” no país.

O estudo apontou o denominado “efeito 2023”, relacionado à Lei nº 14.754/2023, acerca da tributação de offshores e de fundos exclusivos no Brasil. As informações daquele ano apresentaram ganhos incomuns de fundos fechados e offshores em razão da regra de transição definida pela legislação. Sem essa alteração, a participação de 0,1% teria elevado-se para 15,9% e a de 0,01% atingiria 9,9%.

Existem também diferenças regionais na concentração de renda. Mato Grosso lidera o ranking, com o 1% mais rico detendo 30,5% da renda estadual em 2023, um aumento de 10 pontos percentuais desde 2017. São Paulo, Goiás e Paraná também apresentam índices acima da média nacional, de 25% a 27%.

O estudo destaca a necessidade de não considerar unicamente a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) para avaliar a desigualdade. Em 2023, a renda do 0,01% identificada pela PNAD foi cerca de 12 vezes menor do que a verificada no IRPF.

Os autores do estudo argumentam que a tributação sobre a renda deve ser novamente um tema central na discussão política, com a revisão de regimes especiais e de rendas isentas ou não tributadas.

Fonte por: Poder 360

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