Terra atinge recorde histórico de calor acumulado em 2025, segundo ONU

Relatório da Organização Meteorológica Mundial destaca impactos duradouros e António Guterres classifica crise climática como ’emergência global’

3 min de leitura
Pedestres enfrentam forte calor na região central de São Paulo

Pedestres enfrentam forte calor na região central de São Paulo

Calor Acumulado da Terra Atinge Nível Recorde em 2025

A quantidade de calor acumulado pela Terra alcançou um nível recorde em 2025, com possíveis consequências que podem perdurar por centenas e até milhares de anos, conforme alertou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da ONU. O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que o clima global está em uma situação de emergência, com todos os principais indicadores climáticos apresentando dados alarmantes.

O relatório anual da OMM introduziu, pela primeira vez, o desequilíbrio energético da Terra como um dos principais indicadores climáticos. Esse desequilíbrio reflete a velocidade com que a energia entra e sai do sistema planetário, sendo impactado pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa, que causam o aquecimento contínuo da atmosfera e dos oceanos, além do derretimento das geleiras.

Desde o início das observações em 1960, o desequilíbrio energético tem aumentado, especialmente nos últimos 20 anos, culminando em um novo recorde em 2025. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, enfatizou que a atividade humana está cada vez mais alterando o equilíbrio natural, e as consequências disso serão sentidas por gerações.

Calor nos Oceanos e Seus Efeitos

O relatório da OMM confirma que o período de 2015 a 2025 compreende os 11 anos mais quentes já registrados, com 2025 ocupando o segundo ou terceiro lugar, apresentando uma temperatura média 1,43°C acima da média de 1850-1900. O ano de 2024, influenciado por um forte episódio do fenômeno El Niño, continua sendo o mais quente já registrado.

Os eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais, têm causado grandes transtornos e evidenciado a vulnerabilidade das economias e sociedades interconectadas. O aquecimento dos oceanos e o derretimento das geleiras resultam em uma elevação do nível médio do mar, que se acelerou desde que as medições por satélite começaram em 1993. Em 2025, o nível do mar estava quase 11 centímetros acima do registrado no início das observações.

Mais de 91% do excesso de calor é armazenado nos oceanos, que atuam como um amortecedor contra o aumento das temperaturas terrestres. Contudo, a OMM alertou que o conteúdo de calor dos oceanos atingiu um novo recorde em 2025, com a taxa de aquecimento mais que dobrando entre os períodos de 1960-2005 e 2005-2025.

Desafios e Previsões Futuras

John Kennedy, especialista da OMM, informou que o clima ainda está sob a influência de um episódio de La Niña, que está associado a temperaturas globais mais baixas. As previsões indicam condições neutras até meados do ano, com a possibilidade de que o El Niño se torne o cenário mais provável no final do ano, o que geralmente resulta em um aumento das temperaturas em 2027.

A secretária-geral adjunta da OMM, Ko Barrett, ressaltou que os dados coletados devem ser utilizados para melhorar as previsões e justificar a necessidade de sistemas de alerta precoce, a fim de mitigar os impactos das mudanças climáticas. No entanto, ela também reconheceu que os indicadores climáticos não estão evoluindo de maneira otimista.

O relatório da OMM serve como um alerta sobre a aceleração do caos climático, enfatizando que qualquer atraso na adoção de medidas pode resultar em consequências devastadoras. Guterres reforçou a urgência de ações imediatas para enfrentar essa crise climática.

Fonte por: Jovem Pan

Sair da versão mobile