Baixa produtividade dificulta diminuição da jornada de trabalho, afirma pesquisador

Produtividade no Brasil apresenta queda no primeiro trimestre
A produtividade por horas trabalhadas no Brasil caiu no primeiro trimestre, conforme levantamento do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). Esse dado reacende o debate sobre a qualidade do crescimento econômico do país e levanta questões sobre a viabilidade de uma redução legal da jornada de trabalho.
Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV Ibre, destaca que a baixa produtividade é um problema persistente nas últimas décadas, com impactos diretos na renda da população. Ele afirma que o crescimento da produtividade é essencial para um aumento sustentável da renda, melhorando assim as condições de vida.
De acordo com Barbosa Filho, a estagnação da produtividade é a razão pela qual a renda per capita no Brasil não avança de forma consistente, mantendo o país na categoria de economia de renda média.
Desafios da produtividade e jornada de trabalho
O debate sobre o fim da escala 6×1 é frequentemente abordado sob a perspectiva do bem-estar do trabalhador. No entanto, Barbosa Filho enfatiza a importância da dimensão econômica desse tema. Ele explica que, em economias mais produtivas, os ganhos de produtividade são geralmente divididos entre aumento salarial e redução da jornada de trabalho ao longo do tempo.
No Brasil, a produtividade por hora trabalhada cresceu apenas 0,6% ao ano nas últimas décadas, totalizando pouco mais de 7% em dez anos. O pesquisador alerta que uma redução imediata da jornada de trabalho em 9% poderia consumir todo esse acúmulo de produtividade.
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Barbosa Filho também menciona que as empresas têm optado por aumentar as horas de trabalho dos funcionários em vez de contratar mais pessoas, o que pode indicar que a força de trabalho qualificada já está empregada. Ele ressalta que, com a demografia mudando, o ganho de produtividade se torna ainda mais crucial para o futuro econômico do país.
Fatores que limitam a produtividade no Brasil
O pesquisador lista diversos obstáculos estruturais que contribuem para o baixo desempenho produtivo do Brasil, incluindo burocracia excessiva, infraestrutura deficiente, qualificação insuficiente da mão de obra, um sistema tributário confuso e um ambiente de negócios desfavorável. Ele menciona o “custo Brasil” como um fator que prejudica a competitividade, mesmo de empresas que operam de forma eficiente.
Embora reconheça avanços, como a reforma tributária, que busca reduzir o caos fiscal, Barbosa Filho defende que o país deve continuar a investir em educação e tecnologia. Para ele, melhorar a qualidade da mão de obra e adotar tecnologias adequadas são essenciais para alcançar ganhos sustentáveis de produtividade.
Considerações sobre a redução da jornada de trabalho
Ao analisar experiências internacionais, Barbosa Filho argumenta que a redução da jornada de trabalho deve ocorrer naturalmente, como resultado do aumento de produtividade, e preferencialmente por meio de negociações entre empresas e trabalhadores. Ele alerta que uma imposição legal sem respaldo em ganhos de produtividade pode elevar os custos das empresas e aumentar a rotatividade de funcionários.
O pesquisador conclui que reformas estruturais, mesmo que impopulares, são necessárias para viabilizar de forma sustentável tanto o aumento da renda quanto a redução da jornada de trabalho.
Fonte por: CNN Brasil
Autor(a):
Redação
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