Brasil enfrenta novo desafio com proposta de tarifa por trabalho forçado do governo Trump

Escritório de Comércio aponta falha do país em proibir mercadorias feitas com mão de obra escrava

03/06/2026 07:30

3 min

Brasil enfrenta novo desafio com proposta de tarifa por trabalho forçado do governo Trump
(Imagem de reprodução da internet).

Novas Tarifas dos EUA sobre Produtos Brasileiros

O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou na terça-feira (2) a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Essa decisão é resultado de uma investigação realizada sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que concluiu que o Brasil, junto com outras 59 economias, não conseguiu impor e fiscalizar a proibição de importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Este é o segundo revés comercial que o Brasil enfrenta com o governo dos EUA em um curto espaço de tempo. Na segunda-feira (1º), o USTR finalizou uma investigação que classificou as políticas e práticas do governo brasileiro como irrazoáveis, resultando na proposta de uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras, alegando que as ações do Brasil oneram e restringem o comércio dos EUA.

O relatório do USTR destaca que o Brasil faz parte de um grupo de 54 nações que não adotaram medidas efetivas para impedir a entrada de bens relacionados à exploração laboral. O órgão considerou essa omissão como “irrazoável” e que “sobrecarrega ou restringe o comércio dos EUA”.

Implicações das Novas Tarifas

Em resposta, o governo dos EUA propôs taxas adicionais de 12,5% sobre produtos de países que não possuem regimes de proibição ao trabalho forçado, incluindo o Brasil. Para economias que já têm algum nível de restrição ou acordos de reciprocidade, a tarifa proposta é de 10%.

O embaixador Jamieson Greer afirmou que a falta de ação dos parceiros comerciais gera uma competição desleal. Ele destacou que a inação em relação à importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável, criando uma dinâmica que força os trabalhadores americanos a competir em condições desiguais.

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O relatório também menciona que a ausência de fiscalização por parte das economias investigadas distorce as condições de mercado para empresas que não utilizam trabalho forçado, contribuindo para a continuidade dessa prática globalmente.

Consultas Públicas e Próximos Passos

O USTR abriu um período de consulta pública para as medidas propostas, permitindo que interessados enviem comentários por escrito até o dia 6 de julho de 2026. Além disso, audiências públicas sobre as novas tarifas estão agendadas para o dia 7 de julho. Caso as tarifas sejam confirmadas, elas afetarão todos os produtos das economias investigadas, exceto itens específicos que serão listados em anexo no registro oficial.

Irregularidades Identificadas

A decisão de segunda-feira foi fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, e o relatório final identificou irregularidades em seis áreas principais: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

No âmbito digital, a investigação apontou ordens judiciais brasileiras para remoção de conteúdo e suspensão de perfis em redes sociais americanas, além de restrições a sistemas de pagamentos. Em relação ao etanol, o Brasil não oferece tratamento tarifário recíproco desde 2017 e, apesar de ter leis contra o desmatamento, falha na aplicação eficaz dessas normas.

O embaixador Greer mencionou que a investigação foi iniciada a pedido do ex-presidente Donald Trump para abordar preocupações comerciais persistentes. Embora tenham ocorrido reuniões entre Trump e o presidente Lula, ainda existem divergências substanciais entre os dois países.

Fonte por: Jovem Pan

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