Decisão dos EUA sobre facções não solucionará problemas, afirma professor

Rafael Alcadipani diz à CNN que a classificação americana é insuficiente e que a economia brasileira está “contaminada” pelo crime organizado.

28/05/2026 23:20

3 min

Decisão dos EUA sobre facções não solucionará problemas, afirma professor
(Imagem de reprodução da internet).

Estados Unidos classificam PCC e CV como terroristas globais

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) serão designados como “Terroristas Globais Especialmente Designados” a partir de 5 de junho. A decisão, divulgada por Marco Rubio, destaca que a influência e as redes ilícitas dessas facções brasileiras se estendem além do Brasil, alcançando a região e os próprios Estados Unidos.

Impacto da designação na segurança pública

Em entrevista, o especialista em segurança pública Rafael Alcadipani comentou sobre a decisão, afirmando que essa designação, por si só, não resolverá o problema das facções criminosas no Brasil. Ele ressaltou que a presença do PCC e do CV nos Estados Unidos não é amplamente comprovada, embora haja indícios de tráfico de armas e outras atividades ilícitas.

Alcadipani observou que a cocaína brasileira é mais direcionada a mercados na Europa, norte da África, Oceania e Ásia, enquanto a presença das facções é mais significativa em países como Bolívia, Colômbia, Peru e Paraguai.

Crime organizado e a economia brasileira

O especialista destacou a infiltração do PCC no sistema financeiro brasileiro como um problema sério. Ele explicou que o PCC gera grandes quantias de dinheiro por meio do tráfico de cocaína e precisa lavar esse dinheiro, utilizando fintechs para tal. Embora não todo o sistema financeiro esteja comprometido, partes significativas estão contaminadas, o que gera danos econômicos tanto no Brasil quanto internacionalmente.

Cooperação internacional e resposta ao crime organizado

Alcadipani afirmou que o Brasil tem negligenciado o problema das facções nos últimos 20 anos, permitindo seu crescimento desordenado e infiltração na economia e sociedade. Ele espera que a designação americana aumente a colaboração entre as autoridades brasileiras e americanas, especialmente em relação a fluxos financeiros e capacitação das forças de segurança.

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O especialista defendeu que o problema, por ser transnacional, requer uma resposta integrada, envolvendo não apenas o Brasil, mas também países da Europa.

Necessidade de um plano nacional de combate ao crime

Alcadipani enfatizou a urgência de um plano nacional sério e coordenado para enfrentar o crime organizado no Brasil. Ele acredita que o momento eleitoral é propício para que a sociedade exija que o combate ao crime seja tratado como prioridade. A cooperação entre agências como o Ministério Público, a Polícia Federal e a Receita Federal é essencial, e esse modelo de colaboração deve ser institucionalizado, pois o crime atualmente é uma questão multinacional.

Fonte por: CNN Brasil

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