Embrapa busca fundo de R$ 1 bilhão para impulsionar pesquisas agrícolas

Parcerias com setor privado aumentam na gestão de Silvia Massruhá, mas presidente alerta: sem recursos públicos, soberania agropecuária está ameaçada.

12/05/2026 05:20

3 min

Embrapa busca fundo de R$ 1 bilhão para impulsionar pesquisas agrícolas
(Imagem de reprodução da internet).

Embrapa busca novo modelo de financiamento para pesquisas agropecuárias

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está implementando um novo modelo de financiamento que visa complementar seu orçamento com recursos privados, sem abrir mão dos investimentos públicos. Essa estratégia é fundamental para garantir a continuidade das pesquisas agropecuárias, especialmente em tempos de restrições fiscais.

Crescimento nas parcerias com a iniciativa privada

Nos últimos anos, a Embrapa tem visto um aumento significativo nas parcerias com o setor privado. Em 2025, as colaborações com empresas privadas totalizaram R$ 150 milhões, um crescimento de 80% em relação aos R$ 85 milhões de 2024. Esse valor é quase o dobro do que foi captado no início da gestão da presidente Silvia Massruhá, em 2023, quando a média era de R$ 65 milhões.

Esse avanço na captação de recursos ocorreu mesmo em um cenário de contingenciamento orçamentário, onde parte do orçamento foi bloqueada para atender às exigências fiscais. Massruhá destacou que a Embrapa já vinha se preparando para aumentar suas fontes de financiamento nos últimos dez anos.

Núcleo de Inovação Tecnológica

Para mitigar os impactos de cortes orçamentários nas pesquisas, a Embrapa criou o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT). Esse mecanismo permite a arrecadação de royalties através de uma fundação, possibilitando o reinvestimento direto em pesquisas, sem a necessidade de passar pelo Tesouro. Em 2025, a arrecadação via NIT cresceu de R$ 3,7 milhões em 2024 para R$ 12,6 milhões, com uma meta de R$ 30 milhões para 2026.

Fundo patrimonial para sustentabilidade financeira

A Embrapa planeja estabelecer um fundo patrimonial inspirado em modelos de universidades americanas, onde apenas os rendimentos são utilizados para financiar pesquisas, preservando o capital principal. A meta é alcançar R$ 500 milhões, com potencial para chegar a R$ 1 bilhão a médio prazo. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já manifestou interesse em contribuir com R$ 100 milhões, condicionado à estruturação do fundo.

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Limitações das parcerias privadas

Apesar do crescimento nas parcerias, Massruhá enfatizou que o investimento privado tem suas limitações, principalmente em pesquisas de longo prazo, que devem ser financiadas pelo Estado. Ela citou o exemplo da cientista Mariângela Hungria, que dedicou 40 anos ao desenvolvimento de bioinsumos, ressaltando que o apoio estatal foi crucial em momentos em que o setor privado não acreditava no potencial das pesquisas.

Massruhá reafirmou a importância da Embrapa como uma empresa pública, destacando que 77% dos produtores brasileiros são pequenos e médios, e que o Estado deve garantir o acesso à pesquisa que o mercado não financia.

Impacto econômico das tecnologias da Embrapa

Os dados da Embrapa demonstram a relevância de suas tecnologias para a economia agrícola. Em 2025, o impacto econômico das cerca de 200 tecnologias avaliadas anualmente atingiu R$ 124 bilhões, representando 17% do PIB agrícola, que foi de R$ 725 bilhões. Cada R$ 1 investido nessas tecnologias gerou um retorno de aproximadamente R$ 27, evidenciando a importância da Embrapa no contexto agropecuário brasileiro.

Fonte por: CNN Brasil

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