Entenda as diferenças entre terras raras, minerais estratégicos e críticos

O Crescente Interesse pelas Terras Raras no Brasil
Recentemente, o termo “terras raras” ganhou destaque no noticiário brasileiro, especialmente após a aquisição da mineradora Serra Verde Group pela empresa americana USA Rare Earth. Essa transação, avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões, é significativa, pois a Serra Verde é a única operação em escala fora da Ásia capaz de produzir os quatro elementos magnéticos essenciais para ímãs permanentes. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre de 2026.
Em resposta a essa movimentação, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que a lei de 1971, que impõe restrições à venda de imóveis rurais para estrangeiros e empresas de capital internacional, é constitucional. A Advocacia-Geral da União (AGU) argumentou que essas restrições são fundamentais para proteger a soberania territorial e prevenir a especulação fundiária e a lavagem de dinheiro.
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, representando aproximadamente 23% das reservas globais, conforme o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). As principais concentrações dessas reservas estão localizadas em estados como Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.
Definição e Importância das Terras Raras
As terras raras, frequentemente confundidas com minerais estratégicos e críticos, desempenham papéis distintos na geopolítica e na economia global. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), os Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos, incluindo 15 lantanídeos, escândio e ítrio. Esses elementos são essenciais para tecnologias avançadas, como turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias e sistemas de defesa.
Embora o nome sugira que sejam raros, esses elementos não são necessariamente escassos na natureza, mas sua dispersão dificulta a exploração econômica. As terras raras podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto, sendo que nem todo mineral estratégico é uma terra rara.
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Minerais Estratégicos
Minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico dos países, com importância significativa em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética.
Minerais Críticos
Minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode apresentar riscos, como:
- Concentração geográfica da produção;
- Dependência externa;
- Instabilidade geopolítica;
- Limitações tecnológicas;
- Interrupções no fornecimento;
- Dificuldade de substituição.
A definição de quais minerais são considerados estratégicos ou críticos varia de país para país e pode mudar com o tempo, conforme avanços tecnológicos e mudanças geopolíticas. Exemplos comuns de minerais críticos incluem lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio.
O Brasil se destaca por possuir as maiores reservas de nióbio do mundo, com 94% do total, além de ser o segundo em reservas de grafita e o terceiro em nióquel. A China, por sua vez, domina o refino e a produção de terras raras, gerando preocupações em potências como os Estados Unidos e a União Europeia, que buscam diversificar suas fontes de suprimento. Nesse contexto, o Brasil se posiciona como um player relevante no mercado global de terras raras.
Fonte por: Jovem Pan
Autor(a):
Redação
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