Excesso de crédito consignado aumenta endividamento, aponta CLP

Estudo da ONG Centro de Liderança Pública aponta que economia brasileira se tornou “dependente” de empréstimos que “aumentam a dívida total”

08/05/2026 22:20

2 min

Excesso de crédito consignado aumenta endividamento, aponta CLP
(Imagem de reprodução da internet).

Estudo aponta crédito consignado como fator do endividamento no Brasil

Um estudo do CLP (Centro de Liderança Pública) revela que a oferta de crédito, especialmente na modalidade consignada, é um dos principais responsáveis pelo alto endividamento da população brasileira. A análise destaca que, apesar de os empréstimos consignados serem mais acessíveis e com juros menores, o acesso fácil a esse tipo de crédito resultou em um aumento significativo no volume total das dívidas.

Segundo o CLP, a busca por crédito se transformou em um modelo econômico no Brasil, sendo vista como a única alternativa para manter a atividade econômica e o consumo das famílias em alta. Essa dependência do crédito tem gerado preocupações sobre a sustentabilidade financeira das famílias brasileiras.

Críticas à gestão de gastos públicos

A entidade também criticou a maneira como o governo federal gerencia os gastos públicos, afirmando que a gestão atual financia despesas elevadas por meio de uma maior arrecadação, o que acaba estimulando o consumo e, consequentemente, a necessidade de crédito. O novo programa federal de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0, foi mencionado como uma tentativa de substituir dívidas caras por outras com juros mais baixos, mas o CLP alerta que isso não resolve o problema estrutural do endividamento.

O CLP enfatiza que, para reduzir a dependência de juros altos, é necessário enfrentar as causas do desequilíbrio fiscal e a excessiva dependência do crédito. Em março, o montante de crédito consignado cresceu 52%, passando de R$ 7,146 bilhões em fevereiro para R$ 10,864 bilhões.

Recordes de endividamento no Brasil

O índice de endividamento no Brasil atingiu um novo recorde, com 80,9% das famílias endividadas em abril, um aumento em relação aos 80,4% registrados em março. Os dados são da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), que também observou um leve aumento na taxa de inadimplência, passando de 29,6% para 29,7% no mesmo período.

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Entre os inadimplentes, 49,5% relataram ter débitos vencidos há mais de 90 dias. A CNC também destacou que o tempo médio de atraso se estabilizou em 65,1 dias, refletindo uma melhora na renda média que pode ajudar na regularização financeira das famílias.

Fonte por: CNN Brasil

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