Exportações de algodão da Bahia aumentam 1.350% em três safras

Crescimento Exponencial das Exportações de Algodão na Bahia
Nos últimos três anos, o escoamento do algodão produzido no Oeste da Bahia cresceu 14,5 vezes. As exportações pelo Tecon Salvador, terminal de contêineres do Porto de Salvador, aumentaram de 545 contêineres na safra 2022/23 para 7.914 contêineres na safra 2025/2026, representando um crescimento de mais de 1.350%. Bangladesh e China são os principais compradores, abastecendo seus parques têxteis com a pluma baiana.
Produção e Desafios do Setor
Na safra 2025/2026, a Bahia cultivou 417,9 mil hectares de algodão, consolidando-se como o segundo maior produtor do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso. Esse crescimento é crucial para a posição do Brasil no mercado global de algodão. Contudo, o aumento das exportações traz desafios financeiros, pois a rentabilidade do setor depende do controle rigoroso dos custos de produção.
Sérgio Pitt, produtor local, destaca que, apesar dos avanços em manejo, biotecnologia e clima favorável, a rentabilidade está sendo afetada por custos crescentes, como taxas de juros, impostos e preços de fertilizantes. A logística também se tornou um fator crítico, com o aumento dos preços dos combustíveis impactando o frete.
Pressões no Setor de Fertilizantes
A dependência histórica do Brasil em relação a fertilizantes importados, que chega a mais de 90% em alguns casos, tem gerado pressão sobre os custos. As tensões geopolíticas nos últimos anos encareceram o fornecimento de insumos essenciais, afetando o planejamento das safras. Além disso, a taxa básica de juros elevada, atualmente em 14,5%, compromete as margens de lucro dos produtores.
Desafios Logísticos e Tributários
A infraestrutura de transporte não acompanhou o crescimento das exportações, resultando em gargalos logísticos. Operadoras retroportuárias enfrentam dificuldades para atender à demanda crescente. Além disso, a iminente Reforma Tributária, que incluirá a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), gera incertezas sobre a competitividade do setor no mercado internacional.
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Inovação e Sustentabilidade no Setor Algodoeiro
Para manter a competitividade, o setor tem investido em qualidade. A Abapa inaugurou um novo Centro de Análise de Fibras, que se tornou o maior da América Latina, com capacidade para processar até 70 mil amostras por dia. A expectativa é testar 5 milhões de amostras nesta safra, garantindo a qualidade do algodão baiano no mercado global.
A energia elétrica também se tornou uma variável estratégica. A Neoenergia está promovendo a migração para o Mercado Livre de Energia, permitindo que os produtores negociem tarifas e reduzam custos. A adesão ao mercado livre ainda é baixa, mas aqueles que migraram conseguiram cortes significativos nas despesas.
Rastreabilidade e Sustentabilidade como Diferenciais
A sustentabilidade é um ativo comercial crescente. A energia utilizada na produção de algodão é gerada a partir de fontes renováveis, com certificação internacional que comprova a redução das emissões de gases de efeito estufa. Essa rastreabilidade se torna um diferencial competitivo, especialmente em um mercado que valoriza práticas sustentáveis.
Perspectivas Futuras para o Algodão Baiano
A área plantada no Oeste da Bahia tem potencial para dobrar nos próximos anos, impulsionada por práticas de manejo que mitigam riscos climáticos. Com o aprendizado contínuo sobre manejo e estruturação do solo, os produtores buscam equilibrar os custos crescentes e garantir produtividades satisfatórias.
Fonte por: CNN Brasil
Autor(a):
Redação
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