Justiça inglesa confirma condenação da BHP pela tragédia de Mariana

Tribunal de Apelação finaliza recursos e agenda para abril de 2027 a fase que determinará o valor das indenizações.

06/05/2026 21:20

3 min

Justiça inglesa confirma condenação da BHP pela tragédia de Mariana
(Imagem de reprodução da internet).

Justiça da Inglaterra Rejeita Recurso da BHP sobre Tragédia de Mariana

A Justiça britânica negou, nesta quarta-feira (6 de maio de 2026), um novo pedido da mineradora BHP para recorrer da condenação relacionada à tragédia de Mariana, em Minas Gerais, provocada pelo rompimento da barragem do Fundão em 2015.

A BHP, coproprietária da Samarco junto à Vale, foi considerada culpada pelo Tribunal Superior de Londres em novembro de 2025. Com a decisão recente do Tribunal de Apelação, a empresa esgotou as opções legais disponíveis no sistema inglês para contestar a sentença.

A Corte determinou que não existem “razões convincentes” para avaliar o recurso, mantendo a segunda fase do processo, que irá analisar as categorias de perdas e as evidências para quantificar os danos às vítimas, além de definir os valores de indenização. A audiência para essa etapa está agendada para abril de 2027.

Encerramento das Possibilidades de Recurso

O Tribunal de Apelação se uniu ao Tribunal Superior ao afirmar que os argumentos da BHP não apresentam chances reais de sucesso. Jonathan Wheeler, advogado que representa as vítimas, destacou que a BHP é responsável pelo maior desastre ambiental da história do Brasil e não terá outra oportunidade de reverter a decisão.

Com o fim das possibilidades de recurso, o advogado acredita que isso abre caminho para a conclusão do caso. Ele ressaltou que os clientes esperaram mais de dez anos por justiça, enquanto a BHP tentou evitar a responsabilização. Agora, o foco é garantir a indenização que centenas de milhares de brasileiros têm direito.

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Posicionamento da BHP e Acordo no Brasil

A BHP Brasil, em comunicado à Agência Brasil, afirmou que está apoiando a Samarco para assegurar uma reparação “justa e integral” e que continuará sua defesa no processo na Inglaterra de maneira robusta. A empresa confia que o “Novo Acordo do Rio Doce”, assinado em outubro de 2024, que garantiu R$ 170 bilhões para reparação, é a solução mais eficiente para compensar os afetados, com pagamentos já realizados a mais de 625 mil pessoas.

A mineradora também destacou que a Corte inglesa reconheceu os programas de indenização brasileiros e validou as quitações de quem já recebeu reparação integral. A expectativa é que cerca de 40% dos reclamantes individuais na ação do Reino Unido sejam excluídos do processo, reduzindo significativamente o número e o valor dos pedidos na Europa.

A Tragédia de Mariana

O colapso da barragem de rejeitos da mina do Fundão, ocorrido em 5 de novembro de 2015, resultou em 19 mortes, destruição de comunidades e o despejo de 40 milhões de metros cúbicos de lama tóxica no meio ambiente, que percorreu 650 km pelo rio Doce até chegar ao oceano Atlântico.

Os 640.000 autores da ação, incluindo municípios, empresas e comunidades indígenas, recorreram à Justiça britânica por considerarem insuficientes os processos realizados no Brasil. Eles reivindicam cerca de £ 36 bilhões (aproximadamente R$ 260 bilhões) por danos e prejuízos. A BHP foi julgada no Reino Unido devido à sua sede em Londres na época do desastre.

Fonte por: Poder 360

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