Manifestação em SP clama pelo fim da escala 6×1 e ações contra feminicídio

Protesto denuncia precarização do trabalho e critica o Congresso Nacional

01/05/2026 18:30

3 min

Manifestação em SP clama pelo fim da escala 6×1 e ações contra feminicídio
(Imagem de reprodução da internet).

Protesto em São Paulo pela Aprovação de Medidas Trabalhistas e de Combate ao Feminicídio

Centrais sindicais e movimentos sociais se reuniram nesta sexta-feira (1º) na Praça Roosevelt, em São Paulo, para exigir a aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso Nacional e medidas efetivas para combater o feminicídio no Brasil. Os manifestantes expressaram suas críticas à atuação dos parlamentares por meio de camisetas e cartazes.

O professor Marco Antônio Ferreira, da rede pública, ressaltou a importância de conscientizar as novas gerações sobre os direitos trabalhistas garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente diante do aumento da pejotização, que é a contratação de funcionários como Pessoas Jurídicas (PJ).

Ferreira enfatizou que, como educadores, a luta é contínua e necessária para que as pessoas compreendam as implicações do mundo do trabalho que está sendo moldado, que não é necessariamente melhor.

Os contratos de PJ podem resultar na perda de direitos trabalhistas, como férias remuneradas, 13º salário e a garantia de recebimento de salário em caso de doença. Esse tipo de contratação é comum entre Microempreendedores Individuais (MEI).

O Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) tem crescido no Brasil, enquanto parte do empresariado resiste à redução da jornada de trabalho e à mudança nas relações laborais. O governo federal enviou um projeto de lei ao Congresso, em abril, buscando implementar uma carga horária de 40 horas semanais, proibindo cortes salariais decorrentes dessa redução.

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Ferreira também destacou que muitos trabalhadores, ao cumprirem longas jornadas, perdem tempo de lazer e descanso, o que os impede de se engajar em lutas coletivas por direitos e contra desigualdades sociais.

Ele observou que a escala 6×1 é desumana, dificultando que as pessoas cuidem de suas vidas pessoais e se organizem para reivindicar seus direitos.

Uma pesquisa encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras entidades revelou que 56% dos trabalhadores do setor privado sem carteira assinada já tiveram experiência anterior com a CLT, e 59,1% afirmaram que voltariam a ter registro em carteira.

Além disso, a Vox Populi constatou que 52,2% das pessoas fora do mercado de trabalho, incluindo mulheres em atividades não remuneradas e estudantes, desejam retornar, e 57,1% preferem voltar com carteira assinada.

Outro ponto destacado foi a confusão entre empreendedorismo e trabalho autônomo, com muitos se identificando como empreendedores, quando na verdade eram PJs afetados pela precarização.

Direitos das Mulheres em Foco

No contexto de crescente violência de gênero e feminicídios no Brasil, os direitos das mulheres foram uma pauta central no protesto. A pedagoga Silvana Santana mencionou que a misoginia exacerbada pode ser compreendida através de análises críticas sobre o colonialismo que ainda impacta a sociedade brasileira.

Embora reconheça as iniciativas do poder público para proteger as mulheres, Santana argumenta que essas medidas chegaram tardiamente e têm um alcance limitado, especialmente no que diz respeito ao tratamento de negros e negras como sujeitos de direito.

Ela questiona a violência patrimonial e intelectual, bem como a negação das subjetividades das mulheres, e defende a necessidade de um projeto mais audacioso para a emancipação dos afrodescendentes no país.

Fonte por: Jovem Pan

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