Parkinson avançado: entenda por que os comprimidos perdem eficácia com o tempo

Entendendo a Doença de Parkinson e a Eficácia da Levodopa
Uma dúvida comum entre pacientes com doença de Parkinson é se o remédio, especialmente a levodopa, deixou de funcionar. Essa preocupação surge quando os comprimidos, que antes controlavam bem os sintomas, passam a ter um efeito mais curto ou imprevisível.
Na verdade, a levodopa não perde sua eficácia de forma abrupta. O que ocorre é que, com a progressão da doença, o cérebro se torna menos capaz de armazenar e utilizar a dopamina de maneira regular. Isso faz com que o paciente dependa cada vez mais da quantidade de levodopa presente no sangue em determinado momento.
Essas mudanças levam ao surgimento das flutuações motoras, que se manifestam em períodos “on”, quando o medicamento está funcionando e os movimentos são mais fluidos, e períodos “off”, quando a rigidez e a lentidão retornam, junto com o tremor e a dificuldade para caminhar. Além disso, podem ocorrer discinesias, que são movimentos involuntários relacionados às oscilações da medicação.
Por que a Resposta à Levodopa se Torna Irregular?
A levodopa é o medicamento mais eficaz para controlar os sintomas motores da doença de Parkinson. Nos primeiros anos de tratamento, o cérebro ainda consegue armazená-la e convertê-la em dopamina de forma relativamente estável.
Com a perda progressiva dos neurônios produtores de dopamina, essa capacidade diminui. Fatores como a absorção dos comprimidos, o funcionamento do estômago, os horários das refeições e a presença de proteínas na dieta também podem influenciar a eficácia do tratamento.
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Como resultado, o paciente pode experimentar picos e quedas na concentração do medicamento, necessitando de doses mais frequentes e enfrentando períodos “off” logo ao acordar ou percebendo que o efeito do remédio termina antes da próxima dose. Aumentar a dose nem sempre é a solução, pois pode intensificar discinesias e outros efeitos adversos.
Avanços no Tratamento da Doença de Parkinson
Recentemente, uma nova abordagem no tratamento da doença de Parkinson foi aprovada: a combinação de foslevodopa e foscarbidopa, administrada por uma bomba portátil que realiza infusão subcutânea contínua durante 24 horas. Essa terapia foi aprovada pela Anvisa em maio de 2026 para pacientes com doença avançada que apresentam flutuações motoras significativas.
Essa nova estratégia visa manter níveis mais estáveis de levodopa no organismo, reduzindo os períodos “off” e prolongando o tempo em que o paciente se sente bem, melhorando assim a qualidade de vida. Estudos clínicos mostraram um aumento significativo do tempo “on” sem discinesias incapacitantes, oferecendo uma nova alternativa para aqueles que ainda enfrentam flutuações com o tratamento oral otimizado.
Quando os Comprimidos Não São Suficientes
A infusão subcutânea contínua é uma das várias terapias avançadas disponíveis para pacientes selecionados. Outra opção é a infusão intestinal de levodopa, que administra o medicamento diretamente no intestino através de uma bomba conectada a uma sonda.
A estimulação cerebral profunda (DBS) também faz parte desse conjunto de opções, onde eletrodos são implantados em áreas específicas do cérebro para modular os circuitos responsáveis pelo controle dos movimentos. Todas essas abordagens têm o mesmo objetivo: reduzir as oscilações motoras e proporcionar um controle mais estável dos sintomas.
Tratamento Personalizado para Cada Paciente
Atualmente, reconhecemos que não existe uma solução única para todos os pacientes com Parkinson avançado. A escolha do tratamento deve considerar fatores como idade, tempo de doença, intensidade das flutuações motoras, estado cognitivo e resposta às medicações.
Alguns pacientes conseguem um bom controle apenas com ajustes na terapia oral, enquanto outros podem se beneficiar de infusões contínuas ou da estimulação cerebral profunda. É fundamental entender que a aparição dos períodos “on” e “off” não indica que o tratamento chegou ao seu limite, mas sim que ele está entrando em uma nova fase.
A aprovação de novas terapias representa um avanço significativo no tratamento da doença de Parkinson, promovendo um cuidado mais personalizado e buscando a estabilidade dos sintomas, a preservação da autonomia e uma melhor qualidade de vida para os pacientes.
Fonte por: CNN Brasil
Autor(a):
Redação
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