Plano de reocupação de áreas dominadas pelo crime organizado no Rio inicia em regiões menos violentas

Objetivos incluem acabar com o monopólio de serviços básicos por traficantes e milicianos e conter o Comando Vermelho.

24/12/2025 14:20

3 min

Plano de reocupação de áreas dominadas pelo crime organizado no Rio inicia em regiões menos violentas
(Imagem de reprodução da internet).

Governo do Rio de Janeiro Apresenta Plano de Reocupação de Comunidades

O governo do Rio de Janeiro enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um plano para reocupar territórios dominados pelo crime organizado nas comunidades do Estado. O objetivo é acabar com o monopólio dos traficantes e milicianos na oferta de serviços básicos, além de conter a atuação do Comando Vermelho e implementar melhorias em infraestrutura, urbanismo e ações sociais.

Objetivos e Contexto do Plano

A elaboração do plano foi determinada pelo STF em abril, durante o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como “ADPF das Favelas”. O STF busca controlar as operações nas comunidades e reduzir a letalidade policial, especialmente após a operação que resultou em 122 mortes no complexo da Penha, a mais letal da história do Brasil.

O projeto-piloto abrange as comunidades da Muzema, Rio das Pedras e Gardênia Azul, na zona oeste do Rio. Em vez de focar nas áreas com maior violência, o plano prioriza regiões com menor criticidade, mas que apresentam risco de expansão do controle criminoso, visando reduzir confrontos armados e mortes durante intervenções policiais.

Características das Comunidades Selecionadas

Os documentos oficiais indicam que a Muzema tem um domínio recente do Comando Vermelho, enquanto Rio das Pedras é caracterizada pela atuação econômica das milícias, com menos confrontos armados. Gardênia Azul é vista como uma área de transição, com influência fragmentada de diferentes grupos. O governo acredita que intervenções nessas áreas oferecem menor risco operacional e maior chance de sucesso sustentável.

Expansão das Facções e Milícias

Nos últimos 20 anos, a presença de facções e milícias na região metropolitana do Rio cresceu rapidamente. Atualmente, cerca de 4 milhões de moradores, representando 34,9% da população, vivem sob a influência desses grupos, um aumento significativo em relação aos 2,5 milhões em 2007. Essa dominação inclui facções de tráfico de drogas, como o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro, além de milícias que se espalham por diversos municípios da região.

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Operações Policiais e Riscos do Plano

O plano prevê operações policiais contínuas nas comunidades, com apoio de forças federais e das Forças Armadas. Bases policiais funcionarão 24 horas, e haverá a criação de uma guarda municipal comunitária, além de espaços para a Justiça e a Defensoria Pública. Contudo, o documento também reconhece riscos, como mudanças rápidas no controle territorial e reações armadas de grupos criminosos.

Experiências anteriores, como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), são mencionadas como exemplos de iniciativas que falharam devido à falta de continuidade e integração entre áreas sociais e de segurança. O plano, embora apresente um cronograma, não define datas específicas para cada etapa, com a reocupação prevista para começar no primeiro trimestre de 2026.

Estrutura do Plano de Reocupação

O plano é estruturado em cinco eixos de atuação: segurança pública e justiça, desenvolvimento social, urbanismo e infraestrutura, desenvolvimento econômico e governança e monitoramento. A implementação será acompanhada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por um período inicial de dois anos, estabelecendo um marco temporal para a apresentação de resultados.

Fonte por: Jovem Pan

Autor(a):

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