Polícia Militar utiliza bombas e gás na desocupação da reitoria da USP

Atuação policial por volta das 4h15 deixa feridos após uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, segundo estudantes.

10/05/2026 10:20

2 min

Polícia Militar utiliza bombas e gás na desocupação da reitoria da USP
(Imagem de reprodução da internet).

Polícia Militar Desocupa Prédio da Reitoria da USP

No último domingo (10), a Polícia Militar realizou a desocupação do prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), onde estudantes estavam em greve desde o dia 7. Durante a ação, quatro universitários foram detidos, conforme informações do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

A operação policial ocorreu por volta das 4h15 e resultou em feridos, devido ao uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Mais de 30 policiais utilizaram escudos e cassetetes para dispersar os estudantes, implementando uma prática conhecida como “corredor polonês”, onde os detidos são forçados a passar entre fileiras de policiais que os agredem.

A Polícia Militar informou que enviará uma nota sobre a operação, enquanto a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo ainda não se manifestou.

Contexto da Greve Estudantil

De acordo com o DCE, entre 150 e 200 estudantes participaram da greve, revezando-se em turnos e organizando atividades culturais e de limpeza. A paralisação, aprovada em 14 de abril, teve início em apoio a uma mobilização de servidores que protestavam contra uma gratificação exclusiva para professores.

Embora os servidores tenham conseguido avanços salariais e encerrado sua paralisação, os estudantes decidiram continuar a greve, focando em suas próprias demandas. A principal reivindicação é o aumento do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que atualmente oferece benefícios que variam de R$ 335 a R$ 885.

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A proposta da USP para reajuste, que se baseia no índice IPC-FIPE, sugere que o auxílio integral aumente para R$ 912 e o auxílio parcial para R$ 340. No entanto, os estudantes consideram essa proposta insuficiente e reivindicam um aumento para R$ 1.804, correspondente ao salário mínimo paulista.

Demandas e Críticas dos Estudantes

Os estudantes afirmam que a luta por um aumento no valor das bolsas é uma reivindicação antiga. Dany Oliveira, estudante de Artes Cênicas, destacou que há mais de um ano a pauta principal dos estudantes é o aumento para um salário mínimo.

A reitoria da USP já realizou três rodadas de negociação, mas, após a rejeição da proposta, decidiu encerrar as conversas, o que gerou descontentamento entre os grevistas. Além das questões financeiras, os estudantes criticam a gestão do restaurante universitário, a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário, que, segundo os manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.

Fonte por: CNN Brasil

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