Protestos em La Paz, Bolívia, exigem a saída do presidente
Protestos em La Paz exigem renúncia do presidente da Bolívia
Milhares de manifestantes continuam a bloquear acessos a La Paz, na Bolívia, intensificando suas reivindicações pela renúncia do presidente Rodrigo Paz. Os protestos, que começaram em resposta a uma lei sobre propriedades rurais, evoluíram para uma crise de abastecimento e segurança na região.
No último sábado (16 de maio de 2026), a polícia boliviana utilizou gás lacrimogêneo contra os manifestantes em El Alto, cidade adjacente a La Paz, durante uma operação para remover os bloqueios que persistem há quase duas semanas. O governo mobilizou cerca de 3.500 agentes de segurança para desmantelar as interdições, enquanto os protestantes reagiram atirando pedras e atacando veículos policiais em diversos pontos.
Conflitos e Greves na Bolívia
Dois dias antes, na quinta-feira (14 de maio), trabalhadores da mineração entraram em confronto com as forças de segurança no centro de La Paz, tentando avançar em direção ao Palácio de Governo com o uso de dinamite. A mobilização teve início em abril, com marchas de organizações indígenas e populares que partiram dos departamentos de Pando e Beni em direção à capital.
A Central Operária Boliviana (COB), principal sindicato do país, convocou uma greve geral por tempo indeterminado, denunciando repressão policial, exigindo a libertação de líderes detidos e solicitando um aumento de 20% no salário mínimo.
Ajuda Humanitária da Argentina
A paralisação das rodovias resultou em uma grave escassez de alimentos na Bolívia. Em resposta, a Argentina enviou um avião Hércules C-130 da Força Aérea no sábado (16 de maio) para transportar suprimentos. A aeronave levou 12 toneladas de frango congelado, fornecido pelo governo boliviano, que será distribuído na região metropolitana de El Alto.
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O governo argentino, sob a liderança de Javier Milei, anunciou que a ponte aérea humanitária deve continuar nos próximos dias para ajudar a mitigar a crise alimentar.
Controvérsias sobre a Lei de Terras
O estopim dos protestos foi a lei promulgada por Rodrigo Paz em 10 de abril, que visava transformar pequenas propriedades em médias, facilitando o acesso ao crédito. No entanto, movimentos camponeses alertaram sobre os riscos para terras coletivas e a possibilidade de especulação imobiliária.
Após a pressão popular, o governo revogou a lei em 12 de maio, concedendo um prazo de 60 dias para o Parlamento discutir um novo texto. Apesar da revogação, Humberto Claros, líder da Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB), afirmou que a situação permanece tensa, pois o Executivo deve apresentar uma nova proposta ao Legislativo.
A insatisfação social é exacerbada pela crise econômica, com aumento do custo de vida, escassez de dólares e tensões no fornecimento de combustíveis. Rodrigo Paz, que assumiu a presidência no final de 2025, já enfrentou protestos anteriores ao tentar retirar subsídios da gasolina, medida da qual também precisou recuar.
Fonte por: Poder 360
Autor(a):
Redação
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